
Para celebrar o Dia da Poesia em grande estilo, o vereador George Câmara apresentou à Câmara Municipal de Natal proposta para conceder o título de Cidadão Natalense ao poeta cordelista Zé Saldanha, 91 anos. Natural de Santada do Matos, Zé Saldanha receberá a homenagem na proxima sexta feira, dia 13 de março, no espeça Recanto do Seridó - localizado na rua piató, 100, Candelária (por trás do Natal Shopping). O evento se inicia às 19h, com participação de artistas e admiradores do poeta. O título foi aprovado em 2004, mas como George Câmara nao foi reeleito, a familia do poeta preferiu esperar ele retomar o mandato para que a homenagem fosse prestada devidamente. O local da solenidade foi mudado por causa da Câmara Municipal e também por que o poeta gosta do lugar. Para homenagear a data o poeta popular Bob Motta criou um folheto de cordel especialmente dedicado as poeta Zé Saldanha.
O Vereador George Câmara fala sobre o trabalho e as origens do poeta. "Sertanejo de raízes fincadas no seio do povo potiguar, nasceu na Fazenda Piató no municipio de Santana do Matos em 23 de fevereiro de 1918. Teve o umbigo enterrado sob a porteira do curral para crescer rico e feliz Criopu-se "batendo beiço" com sertanejos de fala compassada, sem o contorcionismo verbal dos intelectuais. Conhece o linguajar do homem da caatinga, com sua terminologia curiosa, de cabo a rabo". Segundo George Câmara, o poeta cresceu como um errante cavaleiro medieval no poligono da poesia popular, escrevendo poemas caboclos entoados ao som da lira, no reino dos cantadores. Ouviu a poesia entoada por mestres da cantoria que interpretavam a cadência ritmica do coração. Sentiu a magia melancólica dominar o povo dos sertões. É do tempo em que os mais sábios só possuíam 3 tipos de livros: A Biblia, O Lunário Perpétuo e o Cordel. Seus primeiros best sellers foram o Pavão Misterioso, João de Calais, Carlos Magno e os doze paras de França, a Imperatriz Porcina e a Donzela Teodora. "Mas o poeta não tem pátria, assim quis o professor Pedro Ribeiro, que sempre dizia: o gênio não tem pátria. E Zé Saldanha é um gênio ingênuo que vive a derramar imagninação e modelando a natureza. É, antes de tudo, um sertanejo poeta e forte. E o poeta sonha ama e sofre mais do que os mortais. Zé Saldanha escreveu seu primeiro cordel em 1935 ( O preço do Algodão e o Orgulho do Povo). Não parou nunca mais: História do Boi Mandingueiro, O Valente Serapião, O Velho Catimbozeiro, Singéfrida e Ozean, A Sogra Nordestina, O Matador de Onças, O Político e o Povo, etc.
fonte: Jornal Tribuna do Norte de 13 de março de 2009.