"Procura-se um amigo para gostar dos mesmos gostos, que se comova, quando chamado de amigo. Que saiba conversar de coisas simples, de orvalhos, de grandes chuvas e das recordações de infância. Precisa-se de um amigo para não se enlouquecer, para contar o que se viu de belo e triste durante o dia, dos anseios e das realizações, dos sonhos e da realidade. Deve gostar de ruas desertas, de poças de água e de caminhos molhados, de beira de estrada, de mato depois da chuva, de se deitar no capim". Assim encontrei Vauban, gostava do campo, do orvalho da madrugada, das estradas, dos açudes. Um homem simples, humilde, honesto e trabalhador, amigo dos seus amigos, bom esposo, bom pai de família. Tive a felicidade de trabalhar ao seu lado quando Prefeito de Natal, por isto sem medo de errar afirmo, foi um dos melhores prefeitos que Natal conheceu. Foi quem começou as grandes obras desta cidade. O viaduto do Baldo, a ampliação da Av. Prundente de Morais, construção da Av. Beira Canal, Ubanização das Encostas da Getúlio Vargas, Av. do Contorno (Ribeira), além do primeiro Plano Diretor de Drenagem de Natal entre outras. Vauban gostava de conversar sobre família. Como conviveu na casa de meu avô e era amigo de meus tios Pedro e Manoel Coelho, sempre que havia tempo nos nossos encontros, puxava conversa sobre a convivência dele com minha família. Não tinha hora para trabalhar, sempre era um dos primeiros a chegar no seu gabinete. Certa vez chovia bastante em Natal, aproximadamente duas horas da madrugada, todos em sono profundo, quando o telefone toca lá em casa, era Dr. Vauban.
— Alô Guga, você esta fazendo o que?
— Estou jogando tênis, doutor, mas mande as ordens (eu já sabia que era para ir trabalhar).
Na simplicaidade, ele deu uma gargalhada e me disse - Pois ta na hora de terminar a partida e tomar banho. O banho que ele falava era banho de chuva, porque saímos pelas ruas de Natal, eu, ele, Maurício Coelho Maio, Clovis Veloso Freire e o incansável Manoel Geraldo, guardião de todos nós, para que no início do expediente, tivesse um plano de socorro imediato, as áreas e famílias mais atingidas pelas chuvas.
Partiu o amigo, ficou a saudade, espero que os políticos tenham a grandeza de lhe prestar uma justa homenagem e não deixam o seu nome esquecido para Natal.
Fonte: JH Primeira Edição, Opinião escrito por Augusto Coelho Leal.