Rocas

Minha História


Natal terá carnaval da tradição
Retomando o clima dos antigos carnavais, a Prefeitura do Natal, através da Fundação Cultural Capitania das Artes, está se propondo a realizar um Carnaval diferente em 2006, com a valorização dos blocos e dos bailes carnavalescos tradicionais, das bandas de frevo e de marchinhas e da música potiguar. Essa iniciativa tem o objetivo de transformar o Carnaval em Natal numa festa mais participativa, fortalecendo um tipo de comemoração que já existe.

No dia 10 de fevereiro, serão eleitos o Rei Momo e a Rainha do Carnaval 2006, no Baile da Saudade, às 23h, no Largo da! Rua Chile. Já no tradicional Baile de Máscaras, o Prefeito entregará as chaves da cidade ao Rei e a Rainha eleitos na edição 2006.

Em quatro pontos da capital — Ponta Negra, Centro Histórico, Ribeira e Redinha —, haverá palco para recebimento de blocos e para shows com bandas locais. Em Ponta Negra, os tradicionais Bloco do Jaraguá, Poetas, Carecas, Bruxas e Lobisomens, entre outros, farão a alegria dos foliões, ao lado da Banda Negra, que irá se apresentar no local.

A alegria do carnaval irá tomar conta do Centro Histórico, onde haverá desfile do irreverente Bloco das Kengas, cujo tradicional baile será a festa em ! que serão escolhidos o Rei Momo e a Rainha do Carnaval 2006. Na Avenida Duque de Caxias haverá o tradicional desfile das Escolas de Samba.

A Rua Chile irá receber, durante os dias de folia, tanto bandas oriundas do Centro Histórico quanto da própria Ribeira. Por essa rua, irá passar também uma trivela com os blocos do bairro das Rocas. A trivela irá percorrer Praia do Meio, Rocas e Ribeira.

Na Redinha, onde dois palcos serão montados, haverá apresentações de bandas locais e desfile dos tradicionais blocos do lugar, entre os quais os conhecidos Baiacu Na Vara, Banda do Siri e Redinha Dos Meus Amores. No baiirro do Alecrim, os destaques serão as prévias, com a participação dos blocos Psiu, Cheiro de Alecrim e Aí Vem o Alecrim.

Revitalizando o Carnaval em Natal, a Prefeitura do Natal, por meio da Fundação Cultural Capitania das Artes, com o apoio da Secretaria de Turismo, pretende fazer a cidade reviver um alegre carnaval, tornando a festa pulsante e cada vez mais popular.

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Nordeste: veia aberta do Brasil. Rio Grande do Norte, minúsculo estado econômica e politicamente insignificante na esquina do continente. Periferia da periferia. Foi aqui onde visionários e sonhadores tantas vezes aprenderam que do estrume nascem flores.

Foi em Natal, no bairro das Rocas, que Djalma Maranhão implantou, em 1961, a campanha "De Pé no Chão Também se Aprende a Ler": escolas de palha que não agrediam o ambiente nem a cultura local e alunos descalços, pois para aprender a ler não é preciso ter sapatos. Em três anos, a campanha matriculou 17.000 alunos.

Foi neste estado que, em 1963, Paulo Freire realizou as 40 horas de Angicos, inaugurando uma nova pedagogia que parte das exigências do ser humano e tem como fim a libertação. Naquela época, ele usava um projetor tchecoslovaco no meio de barracas de barro.

Hoje a tecnologia não é mais analógica e não é mais tchecoslovaca, mas é ainda a ferramenta de um grupo de militantes humanistas do Brasil profundo. A DHNet - Rede Direitos Humanos e Cultura (www.dhnet.org) possui o maior acervo de dados e informações sobre direitos humanos e memória histórica em língua portuguesa. É uma central multimídia que contém centenas de megabytes de vídeos, material em áudio, textos, fotos, desenhos, animações. Nasceu com a implantação da Internet no Brasil, no dia 1º de maio de 1995, na forma de BBS (Bulletin Board System), que três anos mais tarde se transformaria no que é hoje. E nasceu aqui, no Terceiro Mundo, em uma periferia perdida da região mais pobre do Brasil, no Rio Grande do Norte. "Aprendemos a enriquecer plutônio em plena caatinga", diz Roberto Monte, coordenador do Centro de Direitos Humanos e Memória Popular (CDHMP), a organização que gerencia a DHNet em parceria com o Cenarte - Centro de Estudos, Pesquisa e Ação Cultural.

Nasceu de uma necessidade básica do movimento de direitos humanos de Natal: sobreviver. Sobreviver em suas lutas sociais, até fisicamente, em um lugar em que as oligarquias detêm um poder gigantesco e em um momento em que a briga era com as estruturas distorcidas do próprio Estado: um grupo de extermínio. Em um mundo que se articula em redes, um mundo globalizado, a única via de sobrevivência era criar um elo com o resto do planeta, projetar a micro-realidade do Rio Grande do Norte na macro-realidade do globo: criar uma rede "glocal", que inserisse o local no global e desse visibilidade a todos os que quisessem estar no projeto.

Foi graças a essa rede que, quando o advogado Gilson Nogueira (que investigava os crimes do grupo de extermínio do Rio Grande do Norte) foi assassinado, a notícia repercutiu no Brasil e no mundo. No dia seguinte, a Rede Globo estava em Natal. A revista norte-americana Time e a Anistia Internacional chegaram logo depois. Isso só foi possível devido ao bombardeio de e-mails que o CDHMP realizou pelo país afora.

A DHNet é fruto de um processo que começou muitos anos atrás, com experiências como a de Paulo Freire e a da Educação Radiofônica iniciada no Rio Grande do Norte no final dos anos 50, que levou muitos militantes do estado a utilizarem as ondas do rádio como veículo de alfabetização das pessoas e transformação social. Mais tarde, esse mesmo grupo se articulou com a Associação Brasileira de Vídeo Popular (ABVP) e a TV dos Trabalhadores (TVT) e fundou a TV Memória Popular.

Em 1993, começaram a ouvir falar do AlterNex, se perguntaram que tipo de relação podia existir entre direitos humanos e realidade virtual e, em 1995, o primeiro esboço da DHNet estava no ar. Ao passar do analógico ao digital, o CDHMP sentiu a necessidade de temperar sua fórmula tradicional, direitos humanos e cidadania, com uma boa dose de arte e cultura e memória histórica, além de trabalhar o aspecto dos desejos humanos: as aspirações profundas dos indivíduos e dos povos.

Mas ao longo destes anos que nos separam do nascimento da DHNet, foi se manifestando de maneira cada vez mais urgente a necessidade de levar para os municípios, as comunidades, a rua as informações, os mecanismos de proteção aos direitos humanos, a arte e a cultura, o resgate da memória histórica dos oprimidos que foram globalizados através da rede. Se antes a atitude era de resistência, hoje há de ser se expansão: o objetivo é disseminar a cultura dos direitos humanos (no sentido mais amplo e abrangente da palavra, o de condições indispensáveis para o desenvolvimento pleno da vida: alimentação, saúde, educação, moradia digna, salário justo, acesso à água, acesso à terra etc.) em todos os 5.561 municípios que compõem nosso grande, amado e desigual país.

Foi por isso que, no início de 2004, o mesmo grupo que criou a DHNet, com novos integrantes que se juntaram ao longo do caminho, começou a tecer a Rede Estadual de Direitos Humanos do Rio Grande do Norte (REDH-RN), uma articulação de organizações da sociedade civil, movimentos e instituições do estado que trabalham com direitos humanos, tanto temáticos como gerais. O objetivo principal da REDH-RN, cujo slogan é "Direitos humanos para todos os potiguares!", é articular em cada um dos 167 municípios do estado representantes dos três poderes públicos e da sociedade civil organizada - além de membros de sindicatos, partidos políticos, Igrejas comprometidas, mídia e até mesmo pessoas físicas interessadas em se envolver nesse processo - para criar núcleos permanentes de direitos humanos locais. Estes últimos serão um elo entre a população local e os instrumentos estaduais, nacionais e internacionais de proteção aos direitos humanos (Ouvidorias, Corregedorias, Ministério Público Estadual e Federal, órgãos de proteção ao meio-ambiente, organismos internacionais como a OEA e a ONU etc.), que nunca chegam às populações periféricas. Eles se encarregarão de levantar as violações de todos os direitos da população dos municípios, conscientizar e mobilizar a cidadania local, encaminhar denúncias, cobrar soluções do poder público: em poucas palavras, sua missão será promover os direitos humanos nos municípios. Neste âmbito, o Rio Grande do Norte está sendo o laboratório nacional de uma nova fórmula de conceber a luta pelos direitos humanos: uma luta em rede.

"Há muito tempo nos estávamos perguntando como chegar à rua, como atingir os municípios, como usar a ferramenta tecnológica para traduzir a globalização da nossa luta em mobilizações concretas nas micro-realidades tecnologicamente excluídas", afirma Roberto Monte. A Rede Estadual de Direitos Humanos (RN) foi a fórmula achada. O dinheiro para construí-la vem da Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República (SEDH), dirigida pelo histórico militante social Nilmário Miranda. "Com a Rede, não queremos apenas falar em direitos humanos", acrescenta o ativista, "mas em memória dos excluídos de cada município, resgate da arte e cultura local, além de estimular o debate, a discussão pública, a mobilização cidadã, a organização".

Mas essa "municipalização" da luta pelos direitos humanos será realizada ao mesmo tempo dentro da mãe de todas as redes. A REDH-RN será ao mesmo tempo uma rede presencial e uma rede online - esta última será encarnada pelo "Guia RN de Direitos Humanos" (http://www.dhnet.org.br/guiabrasil/frame.htm), que possuirá toda a informação sobre acesso aos direitos humanos, memória histórica e cultura de cada município do estado. O "Guia RN", por sua vez, será o laboratório do "Guia Brasil de Direitos Humanos", a suma de 27 guias estaduais, que atingirá todos os 5.561 municípios do país.

A Rede Estadual de Direitos Humanos - RN, um processo em construção permanentemente aberto, já conta com um sistema de comunicação para divulgar suas atividades, lutas, discussões, troca de idéias e experiências. É o jornal Tecido Social, que tem uma versão impressa bimestral de circulação estadual, uma versão mural colada nas paredes de lugares públicos dos municípios do estado e uma versão eletrônica recebida por e-mail por mais de 10.000 endereços dentro e fora do Brasil. Tecido Social, na verdade, não é exatamente um jornal: é, ele mesmo, uma rede. É um processo de comunicação horizontal e totalmente aberto com o qual todos podem contribuir com matérias, denúncias, propostas: é só escrever para tecidosocial@dhnet.org.br ou ligar para o (84) 221-5932.

Desde um minúsculo estado da periferia do Brasil nos chega hoje uma mensagem revolucionária: em um mundo em que os capitais, as mercadorias, os serviços, as tecnologias e os produtos culturais massificados são globalizados, mas as liberdades e os direitos das pessoas são cada vez mais reduzidos pelos poderes econômicos e políticos, a única saída é capilarizar, globalizar, universalizar a luta pelos direitos humanos através de redes de informação e articulações de movimentos, tendo sempre como ponto de partida e de chegada deste processo a realidade de cada município, de cada comunidade, de cada pessoa.

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