Raimundo Francisco Sampaio e
Antônia Guedes do Rêgo

Minha História


            UM FELIZ TESTEMUNHO

            É muito bom relembrarmos pessoas que nos deram bons testemunhos de vida. Elas continuam vivendo conosco quando nos lembramos das suas boas obras, isto é, de quanto bem fizeram por todos nós.

            Queremos colocar o querido casal Raimundo Francisco Sampaio e Antonia Guedes do Rêgo. Ambos oriundos de famílias humildes, do Oeste Potiguar. Ele, nascido a 26 de Dezembro de 1903, no sítio Saco do Encanto, município de Pau dos Ferros (naquela época o enncanto era distrito de Pau dos ferros) e ela, nascida a 9 de Maio de 1915, no sítio Olho D'Água da Anta, município de São Miguel. Primos legítimos, uniram-se emmatrimônio, no dia 27 de Novembro de 1930. Ela, portanto, com apenas 15 anos de idade.

             Foram residir na pequenina casa que ele construíra próximo a de seu pai. Nada possuíam. Porém enfrentaram a vida a dois, de mãos dadas, na alegria e no sofrimento, no trabalho e na fé, como se "não fossem dois mas uma só carne".

              No decorrer de suas vidas, construíram um grande patrimônio. Não diríamos de bens materiais, mas uma família. Criaram 14 filhos legítimos e mais 3 órfãos. Todos foram educados vivenciando "o trabalho, a oração e apartilha". Desde pequenos, como numa oficina, aprendiam fazendo e faziam aprendendo. Todas as noites reuniam-se para a oração em família, acompanhados pelos vizinhos e visitantes, bem como lhes era ensinado o caminho da igreja para vivência dos sacramentos. Nada se tinha que não se pudesse partir com alguém necessitado. Ou nada sobrava nas refeições que logo não fosse endereçado a alguma família carente, na vizinhança.

               A escola era outra estrada oferecida aos filhos. Ambos, mesmo não tendo cultura, entendiam que os filhos deveriam buscar outros caminhos.

                Ajudaram a fundar escolas primárias no sítio onde moravam, inclusive em sua casa. Destacaram filhos a estudarem fora ou enfrentarem trabalhos distantes com profissões diferentes da agricultura.

                 Argüidos por que procediam assim, respondiam que "Deus lhes deu os filhos para serem ensinados a viverem no mundo. Não deveriam continuar como propriedades suas".

                  E nesse lema, viram seus filhos partirem em busca de novos rumos. Surgindo, entre eles, funcionários públicos, professores, padre, militares e agricultores. A cada filho que se apresentasse temeroso para alguma atividade, ouvia as sábias palavras da mãe: "Vai, filho. Com as bênçãos de Deus. Nossa Senhora irá à frente desatando os nós. Não tenha medo".

                  Na década de 60, Raimundo teve forte participação política, elegendo-se vereador, por dois mandatos, na cidade de Encanto.

                  Viveram 70 anos de casados. Ele falecendo a 19 de Outubro de 2000 (próximo dos 97 anos) e ela a 24 de Fevereiro de 2001 (quase 86 anos). 

                   Seus 14 filhos legítimos são: Maria, Manoel, Gonçalo (falecido), José, Pe. Luiz, Miguel, Cícero, Antonio, Benedita, Francisca (falecida), De Assis, Eulália, Xavier e Pedro Paulo. Os adotivos são: Francisca Neta, Fátima e Edmilson. Dessa prole, há 43 netos, 60 bisnetos, 2 trinetos. Ensejando, homenageamos seu 43º neto (filho de Pedro Paulo) nascido a 2 deste mês (julho-2001), cujo nome é Raimundo Francisco Sampaio Neto.

Com palavras do casal, traçamos este perfil:

                                                   Agora, que encerramos a missão

                                                   Na terra onde bem vivemos;

                                                   Temos tanto a agradecer, de oração,

                                                   Os benefícios que, de Deus recebemos.

                                                   Nos conduziu segurando a mão,

                                                   Indo e vindo com toda proteção.

                                                   A ele, todos louvemos!

                                                   e a vós, agradecidos, dizemos:

                                                   Rendei graças ao Senhor.

                                                   Andai nos caminhos da fé.

                                                   Ideal maior é o amor,

                                                   Mesmo que alguém disser

                                                   Ultrajes que vos dê pavor.

                                                   Nada vos separe de Deus Javé.

                                                   Dirigi-lhe, de joelhos ou de pé,

                                                   Oração, o melhor condutor.

1  Eu peço a Deus que me ajude
com muita compreensão
pra escrever uma história
com a força da inspiração
de quem possuiu três coisas:
palavra, honra e ação.

2  Foi seu Raimundo Sampaio,
este homem bravo e forte;
que para vencer na vida,
sofreu muito e teve sorte.
Natural de Pau dos Ferros,
no Rio Grande do Norte.

3  Em novecentos e três,
foi o ano que ele nasceu.
Sítio Saco do Encanto,
o lugar onde viveu.
Preguiça nunca usou,
o tempo nunca perdeu.

4  Com doze anos de idade,
a sua mãe faleceu;
seu pai não demorou muito,
uma madrasta lhe deu.
Foi uma nova experiência
que seu Raimundo viveu.

5  Junto a ele, seis irmãos.
Com o destino traçado,
na casa de parentes
alguns foram criados.
Vamos ver do seu futuro
Qual foi o resultado.

6  Apesar de muito jovem,
ele não esmoreceu.
Enfrentou o sacrifício
que a vida lhe ofereceu;
o tempo pra brincadeira,
Raimundo não conheceu.

7  Ele enfrentou o batente,
lutando com muito gosto;
não enjeitava trabalho,
sempre foi muito disposto.
E foi construindo a vida
com o suor do seu rosto.

8  Com a morte de sua mãe,
recebeu uma pequena herança;
e foi trabalhando nela
com muita perseverança.
De ser dono de mais terra,
alimentava a esperança.

9  Havia um certo senhor
de bastante condição,
que foi comprando a herança
que pertencia aos irmãos.
O Senhor José Virgínio,
Era o nome do cidadão.

10  Foi quando seu Raimundo
trilhou noutro roteiro,
convidado por Zé Virgínio,
para ser o seu rendeiro;
tomando conta do gado,
sendo, portanto, o vaqueiro.

11   Naquele tempo o vaqueiro
não recebia ordenado.
De cada quatro bezerros
Um, por ele, era ferrado.
De um em um, foi fazendo
sua semente de gado.

12  Quando resolveu se casar,
Deus muito o ajudou,
encontrando uma criatura
que com seu signo igualou;
viviam pobres em dinheiro,
mas muito ricos de amor.

13  Foi em novembro de trinta,
chegado o grande momento:
o padre da freguesia
celebrou o casamento.
Jesus Cristo abençoou
este Santo Sacramento.

14   Antonia Guedes do Rêgo
com quem Raimundo se casou.
Mulher de grandes virtudes,
espelho de puro amor.
E juntos, tocaram a vida,
na alegria e na dor.

15  E foram chegando os filhos,
A dificuldade aumentava.
Raimundo, como um herói,
Bem disposto, trabalhava.
Se faltasse alguma coisa,
Antonia não reclamava.

16  Seu Raimundo e dona Antonia
formavam um casal perfeito.
Ele era um homem honesto
e gozava de bom conceito.
Se não tinha o que queria,
mas vivia satisfeito.

17  E dona Antonia, que era
mulher de bom coração.
Para fazer caridade,
estava de prontidão.
Para quem lhe procurasse,
estendia sempre a mão.

18  A religião católica,
fielmente praticava,
o terço todas as noites,
de joelho se rezava;
e cada parente falecido,
Um Pai-Nosso ele ganhava.

19  “Vamos rezar o terço”,
a esta ordem se obedecia.
Ficar lá fora ou em conversa,
isto não acontecia.
Quem não tivesse costume,
durante o terço, dormia.

20  Foi com este bom exemplo:
Trabalho, partilha e oração
que criaram uma família
com respeito e união.
Educação se dá em casa,
No colégio é a formação.

21  Naquele tempo, uma seca
era o terror do sertão.
Porque não havia estrada,
muito menos caminhão.
O povo se desesperava
sem rumo e sem solução.

22  Comiam o que encontravam
se não tinham coisa melhor,
morria gente de fome,
sofriam de fazer dó.
Comiam comida braba
mucunã e pau-mocó.

23   Pegavam o pouco que tinham
e trocavam por quase nada;
seguiam a pé ou a cavalo
aquela triste jornada
e nunca mais que voltavam
a sua antiga morada.

24  Mas seu Raimundo, que era
um homem muito disposto,
Dona Antonia, ao seu lado,
lhe ajudando com gosto.
Assim, ganhavam seu pão
com o suor do seu rosto.

25 Com trinta léguas distantes
havia um serviço grosseiro,
era ir pra Mossoró
trabalhar de salineiro.
Somente pra cabra macho,
que tivesse o pé ligeiro.

26 Mas seu Raimundo Sampaio
tinha grande resistência,
enfrentou este trabalho
demonstrando competência;
e com esforço ganhava
a sua sobrevivência.

27 E passado o tempo ruim,
quando Raimundo voltava,
os trabalhos da agricultura,
bem disposto, reiniciava.
E do sobejo da seca,
Ia juntando o que sobrava.

28  Naquele tempo, algodão
era o ouro do roceiro.
Com algodão e com gado
foi juntando dinheiro.
Assim, comprou a fazenda
que trabalhou de vaqueiro.

29  A família foi crescendo,
Todos muito obedientes.
A maioria era homem,
Todos muito inteligentes.
Dona Antonia e seu Raimundo
Viviam muito contentes.

30  Quando os anos abundantes
Faziam grande fartura.
Seu Raimundo e a família
eram heróis da agricultura;
grande safra de algodão,
dando total cobertura.

31  E desse casal ilustre,
treze filhos foram criados:
cinco mulheres e oito homens
muito bem disciplinados.
Vamos saber do futuro
Que, por Deus, foi reservado.

32  Mas ainda achando pouco,
treze filhos a seu lado,
adotaram mais quatro;
dezessete totalizados.
Deu sustento e deu estudo,
foram muito bem criados.

33  Hoje, com muita vaidade,
pouca fé e muita preguiça,
o povo moderno conclama:
“Família grande é mundiça”.
É muita falta de respeito,
de amor e de justiça.

34   Naquele tempo era difícil
para a pessoa estudar,
homem ou mulher que soubesse
ler, escrever e contar,
podia ser professor
em escola particular.

35   Na casa de seu Raimundo
não faltava uma escolinha
pra ensinar a seus filhos
e a criançada vizinha.
Isto era um privilégio
que muita gente não tinha.

36  E assim continuou
cultivando a sua estrada,
sempre plantando o bem
em sua longa jornada.
Quem luta com fé em Deus,
na vida, não teme a nada.

37  E sempre progredindo
na luta da agricultura;
sua casa era conhecida
como a casa da fartura.
Não foi “Senhor de Engenho”,
mas fabricou rapadura.

38  Veio outro pensamento
na mente desse casal,
era como tirar os filhos
para estudar em Natal;
que, por aqui, só fazia
até o curso ginasial.

39  Filho de pobre, na época,
tinha que ajudar os pais; aprendia alguma coisa
nas escolinhas rurais.
Ler uma carta, escrever outra
já era coisa demais.

40   Na época, a agricultura
era um serviço pesado;
não tinha capinadeira,
nem boi para o arado,
montavam grandes adjuntos
na base do dia trocado.

41   E, com essa parceria,
formavam uma legião
em torno da mesma causa,
lutando com união.
No fim, a grande fartura
comandava a região.

42  Fartura de cereais:
milho, arroz e feijão;
porco gordo no chiqueiro,
peru, galinha e capão,
leite, coalhada e queijo,
tudo para alimentação.

43  Vamos mudar um pouco,
e entrar noutro canal,
falando sobre a família
do nosso ilustre casal,
como foi que os meninos
foram estudar em Natal.

44  O primeiro que viajou
pra capital do Estado,
Manoel Sampaio do Rêgo,
um cabra desenrolado;
e lá serviu ao Exército,
ficando bem preparado.

45  Mas nesse mesmo período
algo lhe aconteceu:
Manoel Sampaio do Rêgo,
muito grave, adoeceu.
Mas a fé de dona Antonia,
com certeza, lhe valeu.  

46  Quando Manoel ficou bom
dessa doença que tinha,
com as rezas de dona Antonia
e com sua santa mezinha,
a estrela do seu futuro,
a seu encontro, já vinha.

47  Naquela época existia
uma grande repartição
era o Fomento Agrícola,
quase em toda região.
Sua função era plantio,
pesquisa e orientação.
 
48  O chefe era um engenheiro
muito bem organizado;
que não gostava de lutar
com cabra desmantelado.
Observou que Manoel
dava conta do recado.

49  Doutor Mário Marcelino,
o nome do cidadão,
que entregou a Manoel
os campos de plantação.
Manoel Sampaio assumiu
toda a administração.

50 Com o emprego de Manoel,
tudo se encaminhava
pra saída dos meninos,
seu Raimundo reclamava.
Pois ele ficando só,
a agricultura se acabava.

51 Mas dona Antonia assistiu,
com muita perseverança,
os meninos partindo,
com coragem e esperança;
de um futuro brilhante,
em Deus tinha confiança.

52  Se alguns se preocupassem,
ela, com muito carinho,
dizia: “Tenha fé em Deus,
você não está sozinho.
E o Divino Espírito Santo
vai clarear seu caminho”.

53  Também preciso falar
de um nobre cidadão.
Seu José Guedes do Rêgo,
de dona Antonia, era irmão;
que ajudou muito à família,
dando orientação.

54  José Guedes, na família,
era o mais abastado.
Foi o que mais estudou,
Não chegou a ser formado.
Porém era pra família
O juiz e o advogado.

55  Naquele tempo, a capital
ficava muito distante.
José Guedes se tornou
a peça mais importante.
Para o povo do interior,
o grande representante.

56  Seu Raimundo e dona Antonia,
Nele, muito confiavam.
Seus filhos, lá em Natal,
com sua ajuda contavam.
Ele sempre estava presente
Na hora que precisavam.

57  Finalmente quase todos
foram para a capital,
trabalhar e estudar,
era este o ideal.
Tornaram uma família ilustre,
os filhos deste casal.

58  Tem professores formados,
agricultor, fazendeiro,
funcionários federais,
oficial marinheiro;
também tem um sacerdote
puro, fiel mensageiro.

59  Dona Antonia, de muito cedo,
alimentava a esperança:
em ver um filho ser padre,
ela tinha confiança.
Tem um provérbio que diz:
“Quem confia em Deus, alcança”.

60  E este seu pensamento
por Deus foi abençoado.
Tem hoje, o Padre Luiz,
muito bem conceituado.
Ela teve o prazer de ver
seu sonho realizado.

61  Em uma época, seu Raimundo,
na vida pública pensou.
Filiou-se a um partido,
e se elegeu vereador;
de ver tanto “arrumadinho”,
da política se afastou.

62  Não gostava de questão,
não era homem orgulhoso,
mas pra manter seu nome limpo,
ele sempre foi zeloso;
e dizia “Eu tenho raiva
de político mentiroso”.

63  Seu Raimundo tinha ciúmes
de sua propriedade,
em uma época a família
foi residir na cidade;
ele não se acostumou
com a nova realidade.

64  Vou falar noutro assunto
que aconteceu no passado,
deixou Raimundo Sampaio
um pouco preocupado.
tem um pouco de folclore,
Merece ser bem lembrado.

65  No ano cinqüenta e oito
houve seca no Nordeste;
as plantas não prosperavam
com o verão e a peste.
Para o homem camponês,
era mais um duro teste.

66  Seu Raimundo aperreado,
com aquela situação,
sem ter forragem pro gado,
água só no cacimbão.
Era o retrato fiel
de uma seca no sertão.

67  Certo dia, seu Raimundo
pediu uma chuva boa,
da que carrega muafo
e sapo pede canoa;
enchendo todo buraco,
barragem, açude e lagoa.

68  Já se estava em março,
a vinte e sete do mês,
apareceu uma chuva
encomendada, talvez.
Raimundo ficou pensando
sobre o pedido que fez.

69  Era uma chuva tão grossa,
sem relâmpago e sem trovão,
o estrondo da água na telha,
o rolo da água no chão
começaram a fazer medo
ao povo da região.

70  Foram quatro horas de chuvas
de biqueira esborrotada;
das cachoeiras da serra
se ouvia a zoada:
eram os balseiros descendo
com a força da enxurrada.

71  Grande  trincheira de pedras
lá da serra desabou.
fazendo uma grande estrada
onde a pedreira passou.
Até hoje existe marca
que o tempo não apagou.

72  Algumas pessoas contam.
Eu não sei se aconteceu.
Teve caso de mulher,
com medo, se arrependeu;
pediu perdão ao marido,
de alguns pulinhos que deu.
 
73  Cinco açudes nesta noite,
a enchente carregou;
quando se torou o primeiro,
o resto não agüentou,
com a barragem de Raimundo,
meia dúzia completou.

74  Saiu juntando muafo,
pé de manga, juazeiro,
burro, jumento, cavalo,
oiticica e cajueiro,
de cerca não ficou vara
pra se fazer um chiqueiro.

75  Antonia disse: “Raimundo,
tu não escutas o que eu digo;
diz tudo que tem vontade,
não tem medo de perigo.
Peça perdão a Deus,
que isto aí foi castigo”.

76  Raimundo disse: “Antonia,
deixe de tanta asneira,
que Deus não vai castigar
por todas nossas besteiras.
ou será que ninguém pode
dizer mais uma brincadeira”?

77  Finalmente, seu Raimundo,
quando tudo melhorou;
reconstruiu a barragem
que a enchente carregou;
e com as coisas lá de cima,
nunca mais ele brincou.

78  Quando fez cinqüenta anos
de união conjugal,
reuniu toda a família
e os amigos, em geral.
Fez uma grande festa
na fazenda do casal.

79  E continuou sua vida,
sempre fazendo o bem;
sendo pra servir ao próximo,
ele não olhava a quem;
defendia o que era seu,
não queria o de ninguém.

80  Não gostava de mentira,
não entrava em confusão,
só discutia um assunto
se ele tivesse razão;
entrava logo em acordo
pra evitar a questão.

81  Com esta lição de vida,
seus filhos foram criados:
no caminho da escola
e trabalhando no roçado.
o que se faz com amor,
por Deus é abençoado.

82  Dos filhos de seu Raimundo,
já tem dois falecidos,
os outros, todos são vivos,
vivendo em paz e unidos.
Mal feitos desta família
até hoje, não conhecidos.

83  Viveram setenta anos
nesta feliz união.
Contando esta história,
é de admiração.
O casamento atual
é de pouca duração.

84  Dona Antonia, os últimos anos,
terminou muito doente;
perdeu todas as forças,
acabou-se a sua mente.
Mas o carinho de seus filhos
estava sempre presente.

85  Com oitenta e seis anos,
dona Antonia faleceu.
Por tanto bem que ela fez,
um descanso mereceu.
Jesus Cristo, lá no Céu,
com gosto, lhe recebeu.

86  Todos estamos sujeitos
ao perigo na nossa frente.
Com seu Raimundo Sampaio,
também, não foi diferente;
sofreu uma grande queda,
Ficando muito doente.

87  Com três costelas quebradas,
e perfurado o pulmão,
teve que fazer depressa
uma finíssima operação.
Pela idade, era difícil
sua recuperação.

88  Mas ele sobreviveu
a esta tragédia malvada.
A saúde do guerreiro
ficou bastante abalada.
Mesmo assim, bem animado,
chegou ao fim da jornada.

89  E seu Raimundo Sampaio,
o nosso herói lutador,
pras gerações do futuro,
bonito exemplo deixou;
com noventa e sete anos,
Jesus Cristo lhe chamou.

90  Hoje, na propriedade
tem muita benfeitoria;
pais, filhos, avós e netos
expostos em fotografia,
mostrando que ali existem
paz, amor e harmonia.

91  Também, na propriedade:
há um parque de diversão.
É uma linda cachoeira
que Deus fez com perfeição,
onde todos têm acesso,
sem fazer depredação.

92  Mulheres vão lavar roupa,
os homens à  pescaria,
tem banho de cachoeira,
tem festa, tem alegria;
e outros, ao conhecerem,
vão tirar fotografia.

93  Sobre Raimundo e Antonia,
aqui, dou por encerrado.
Desculpe-me caro leitor
se não ficou bem narrado;
pois exemplo bonito, assim,
merece ser bem contado.

94  Desejo ao casal
o santo troféu,
feliz lá no céu,
pertinho de Deus.
Aqui tem os seus,
que vivam em paz,
com o exemplo dos pais,
são os votos meus.

95  Eu acho que o poeta
tem, por certo, um dever
de sempre escrever
histórias assim,
mostrando o exemplo
para a humanidade,
provando a verdade
de quem não foi ruim.

Índice | Como funciona | Cadastro | Contato
Conheça a Rits Comunicação & TecnologiaConheça a Rits Comunicação & Tecnologia