Pedro Florêncio de Queiroz

Minha História


PEDRO FLORÊNCIO DE QUEIROZ

Por Antônio Augusto de Queiroz*

Pedro Florêncio de Queiroz nasceu em Pau dos Ferros, Rio Grande do Norte, em 22 de fevereiro de 1909. Filho do marchante e agricultor João Florêncio e da dona-de-casa Francisca Alzira, foi um homem de vida exemplar. Bom filho, bom esposo e sobretudo bom pai, dedicou sua vida ao trabalho e às três famílias que criou. Homem simples, sem qualquer vício, em toda a sua vida não fez um só inimigo. Ao despedir-se da vida, deixou muitos admiradores e 19 filhos orgulhosos do pai que tinham, além da segunda esposa que lhe deu amor, carinho e atenção nos últimos 36 anos, desde que ficou viúvo do primeiro casamento.

Primeira Família: Francisca Alzira

Segundo rebento de uma família de nove irmãos, Pedro era o filho homem mais velho. Desde cedo precisou trabalhar para ajudar no sustento da família, auxiliando seu pai na agricultura e nas atividades de açougueiro, acompanhando-o nas viagens às cidades vizinhas do Encanto e São Miguel para comprar ovelhas, bois e principalmente porcos para abater e vender na feira. As viagens de negócios eram verdadeiras peregrinações, especialmente para um menino, que tinha de andar entre 18 e 35 quilômetros. Na ida, a viagem era confortável, pois fazia esse percurso no lombo de um jumento, mas na volta tinha que andar a pé, já que o jegue trazia os animais já abatidos para vender na feira de Pau dos Ferros.
Com a doença de seu pai, cessaram as viagens, mas prossegue no trabalho no roçado e nas vazantes. Nas atividades na agricultura, conta com o auxílio de seu irmão José, um ano mais novo, que também teve papel importante no sustento da família, sobretudo após o falecimento do seu pai, que morreu em junho de 1929, noite de São Pedro, com problemas no fígado. Nessa época, Pedro tinha apenas 17 anos e a responsabilidade de garantir comida para oito irmãos, além de sua mãe, que estava grávida do décimo filho, que só nasceria três meses depois da morte de seu pai.

Analfabeto, e por isto sem condições de assumir um emprego que o prefeito Francisco Dantas lhe ofereceu na coletoria da Prefeitura de Pau dos Ferros, Pedro passou a trabalhar cada vez mais. Iria honrar a palavra de seu pai que, dias antes de falecer, tranqüilizou sua mãe afirmando deixar dois homens - Pedro e José - para tomarem conta da família, na eventualidade de ele vir a falecer, como, de fato, ocorreu dias depois. Durante o dia, Pedro trabalhava na agricultura ou nas olarias, batendo tijolo. Contavam seus companheiros de olaria que Pedro era imbatível na produção de tijolos. Sua produtividade era impressionante. Ele, sozinho, tendo que carregar a água, molhar o barro e fazer a massa, batia entre 1500 e 2000 tijolos grandes por dia, num recorde jamais superado na cidade. E à noite, em lugar de ir descansar, depois de um dia inteiro de trabalho na roça ou na olaria, Pedro ia pescar com uma tarrafa no açude, garantindo, com fartura, como afirmara a seu pai, o sustento de sua primeira família. Consta que sua mãe acordava tarde da noite para colocar seus pés dentro da rede, tamanho o enfado do rapaz.

Segunda Família - Maria Sergina do Rêgo
Pedro escolheu para ser sua esposa uma prima legítima, filha do irmão de sua mãe, José Rêgo. Uma moça bonita, que ele conheceu nas constantes visitas que fazia à fazenda do tio no sítio Guardado, próximo à cidade de São Miguel, e por quem se apaixonou. Pedro e Maria Sergina do Rêgo casaram-se em 15 de dezembro de 1935 e foram morar próximo da fazenda do pai dela, onde compraram uma pequena propriedade.

Para sustentar a nova família, que todo ano aumentava, Pedro contava, além do trabalho na agricultura, com um pequeno comércio no sítio Guardado, onde tinha uma bodega que abastecia a localidade. Nos dias de feira, montava seus comboios e ia vender rapaduras e cereais em São Miguel, Perereiro, no Ceará, Pau dos Ferros e cidades próximas.

Maria Sergina era mulher trabalhadora e muito fértil. Quase todo ano lhe dava um filho, até que faleceu, no parto do 11º filho, que deixou com vida; uma menina, criada mais tarde por Maurício Rêgo. Todos os filhos vivos do primeiro casamento, os dois que morreram ainda crianças e os cinco primeiros do segundo casamento nasceram no sítio, com a assistência de uma parteira, sem qualquer apoio médico.

Terceira Família - Maria Augusta da Silva
Viúvo, Pedro sofria triplamente, antes de conhecer Maria Augusta, sua futura esposa. Primeiro, preocupado com os filhos menores que necessitavam do apoio da mãe, que acabara de perder. Segundo, com a ausência da esposa, que lhe fazia companhia e com quem compartilhava a alegria de viver. E, terceiro, porque, viril como era, necessitava de uma mulher para voltar a ser feliz.

Não demorou muito, o viúvo do chapéu perfumado conheceu, na feira de São Miguel, uma moça forte e bonita, de nome Maria Augusta da Silva, por quem se apaixonou e com quem veio a se casar e ter mais nove filhos. Mulher de personalidade forte, Maria Augusta foi morar no sítio Guardado, mas vivia se desentendendo com o tio e ex-sogro de Pedro, mudando-se, em breve, para Pau dos Ferros, onde os meninos do primeiro e segundo casamentos tiveram oportunidade de freqüentar uma escola com regularidade.

Pedro comprou um terreno no Riacho do Meio, área rural de Pau dos Ferros, e recomeçou sua vida na cidade onde nasceu e se criou. Nesse período, contou com a ajuda inestimável de dois de seus irmãos - José e Antônio. O primeiro, que trabalhou na roça com ele para sustentar a família na ausência do pai, era grande construtor na cidade e lhe deu um pequeno sítio de presente, dentro de Pau dos Ferros, onde construiu a casa em que viveu seus últimos anos. O segundo, que viajou cedo para o Rio de Janeiro, se tornou um empresário bem-sucedido no ramo de industrialização de sal e algodão, apoiou financeiramente e incentivou Pedro a se inscrever na Previdência Social como comerciante, iniciativa que, apesar de toda dificuldade para pagar regularmente, muitas vezes tendo que se desfazer de algumas cabeças de gado, lhe assegurou uma aposentadoria de aproximadamente quatro salários mínimos, valor com que se equilibrava para sustentar uma família de vinte filhos.

Em Pau dos Ferros, Pedro retomou suas atividades na agricultura e comprou várias vazantes no açude, de onde tirava o sustento da família, antes da aposentadoria, que se daria anos depois, por invalidez. Dois problemas lhe afligiram: um reumatismo causado pelo excesso de quentura nos pés, durante o período em que trabalhava nas olarias, quando ficava horas a fio com os pés na terra quente, e um problema de catarata na vista, que lhe irritava profundamente, pois lhe deixou inteiramente cego, até que, vencido o medo da operação, fez uma cirurgia que lhe devolveria a visão, uma das maiores alegrias de sua vida.

Orgulhoso dos irmãos, falava com particular admiração de Antônio Florêncio. Este, terceiro filho homem da família de seu pai, aproveitara todas as oportunidades que a vida lhe oferecera, tornando-se um empresário e, depois, um político de sucesso, tendo sido deputado federal por quatro mandatos consecutivos pelo Estado do Rio Grande do Norte. Pedro dizia com satisfação que seu irmão conhecia os principais países do continente europeu, que sequer sabia onde ficava.

Antes de falecer, Pedro perdeu uma das filhas que mais gostava, Maria Florência. Se tivesse tido consciência dessa perda, certamente teria sofrido muito. Ele a admirava profundamente e ela tinha verdadeira adoração pelo seu pai. Ela morava em Mossoró e o acidente que a vitimou ocorreu em uma de suas freqüentes visitas a Pedro, em Pau dos Ferros. De todos os seus vinte filhos, dois lhe cativavam particularmente, os excepcionais Dedé e Raimundinho. Amigos e brincalhões passavam o dia imitando a voz de Pedro e fazendo brincadeiras para despertar sua atenção e diverti-lo.
Pedro faleceu no dia 2 de janeiro de 1994 com 85 anos de idade.

TIO PEDRO
Antônio Augusto (*)

Tio Pedro, uma criatura interessante, não era índio, mas gostava do mato, das serras e dos serrotes. Pequenos morros que circundavam o Guardado, o Cantinho. Lá por perto fica o Encanto, São Miguel, Pereiros, lugares que tio Pedro gostava. Em sua volta, havia muitas distrações, como caçar. Havia, em abundância, a ribaçã, o jurití, o peba, o mocó. Coisas, fatos que acontecem e foram levados como folhas secas ao sabor dos ventos.

Pedro tinha um cachorro que era o seu segundo anjo da guarda. Certo dia, ele nas tocas dos mocós, escorregou e caiu numa loca de pedra, tendo um pouco de dificuldade para sair. Enquanto tentava sair, Morupim, o seu cão de guarda, latiu, grunhiu e sentiu o esforço e, no seu instinto submisso, saiu a correr até à casa. Chegando no terreiro, começou a latir e, se voltando, tentava retornar. O pessoal, de princípio, não entendeu. Mas, ao ver a insistência do Morupim, resolveram  segui-lo. Depois de muito sobe-e-desce pelas veredas, encontraram os morrotes com altas pedras. De cima, ele latiu, indicando a maloca e, do fundo, a voz dava a certeza de vida. Feito a retirada, o encontro foi emocionante. O Pedro contava com graça que um dia, no leito do riacho, encontrou uma onça parada. Ele foi se aproximando até pequena distância. Parou e, sem pestanejar, encheu as mãos de areia e deu aquele alô. A onça se arremessou contra ele. Foi aí que ele impulsionou a areia, acertando em cheio os olhos e a boca do animal. A pobre coitada pôs-se a girar em torno de si. Pedro disse: “Aproveitei  e fugi”. São acontecimentos que se apagam. Alguns contemporâneos sabem da generosidade do Pedro. Época boa, a  de sua juventude, décadas de 30 a 40. É como se ainda escutasse o canto do galo na madrugada, anunciando um novo dia.

(*) Escrito por Antônio Augusto formado pela UniCeub-DF, filho de José Augusto e Maria Souza de Oliveira, enteado de Cícera Queiroz.

PEDRO FLORÊNCIO DE QUEIROZ & MARIA SERGINA DO RÊGO - 1º Casamento

FILHOS:
João Florêncio de Queiroz
- Vilane Guedes Rêgo
- Antônia Nogueira de Queiroz

Olímpia Rêgo de Queiroz
- Francisco Lopes do Rêgo

Maria Florêncio de Queiroz (FALECIDA EM 08.12.1991)
- Osvaldo Martins de Lima

Antônia Florêncio de Queiroz

Nelson Florêncio do Rêgo
- Raimunda Emília Rêgo

Maria Salete Florêncio do Rêgo
- Benedito Bento

Irani Florêncio do Rêgo
- Antônio Pereira de Freitas

Francisca Florêncio do Rêgo
- Benedito Neto de Queiroz

José Florêncio do Rêgo
- Lainha do Rêgo

Luiz Florêncio do Rêgo
- Geralda do Rêgo

Tamázia Florêncio do Rêgo
- Raimundo Silvano e Lima

NETOS:
João Florêncio de Queiroz e Vilani Guedes Rêgo
- Maria Vilma Guedes do Rêgo
- José Sueldo Guedes de Queiroz

João Florêncio e Antônia Nogueira de Queiroz
- Maria Advilma de Queiroz
- Maria Edilma de Queiroz
- Maria Ilma de Queiroz
- Gerlânio Florêncio de Queiroz
- Geoberlânio Florêncio de Queiroz
- Edilânio Florêncio de Queiroz

Maria Florêncio de Queiroz Lima (FALECIDA EM 08.12.1991) e Osvaldo Martins de Lima
- Maria Cristina Martins de Queiroz 
- Wilson Flávio Queiroz de Lima (WILSON MARTINS)
- Adilson Queiroz de Lima (FALECIDO EM 26.10.2006)

Olímpia Florêncio do Rêgo e Francisco Lopes do Rêgo
- Francisco Lopes do Rêgo Júnior

Nelson Florêncio do Rêgo e Raimunda Emília
- Fábio do Rêgo

Irani Florêncio do Rêgo e Antônio Pereira de Freitas
- Simone de Freitas

Maria Salete Florêncio do Rêgo e Benedito Bento
- Maria do Céu

Francisca Florêncio de Queiroz e Benedito Neto de Queiroz
- Rosângela Florêncio de Queiroz
- Rosary Florêncio de Queiroz
- Rosimeiry Florêncio de Queiroz
- Francisco Leonardo Domingo de Souza

José Florêncio do Rêgo e Lainha do Rêgo
- Cleiton do Rêgo
- Simone do Rêgo

Luiz Florêncio Rêgo e Geralda Rêgo
- Gustavo Rêgo
- Pedro Rêgo

Tamázia Florêncio do Rêgo e Raimundo Silvano de Lima
- Tales Silvano Rêgo Lima
- Tiago Silvano Rêgo Lima

BISNETOS:
Maria Vilma de Queiroz
- Larissa Queiroz de Oliveira

Maria do Céu e Ricardo
- Micaelle

Cristina de Lima e Witson Homero de Holanda Vanderley
- Crislayne Martins Vanderley

Wilson Flávio Queiroz de Lima e Jeilza Alves Brasil de Lima
- Geilne Alves de Queiroz
- Wilne Florêncio de Queiroz

-Willian Martins Alves Florêncio

 

Rosângela Florêncio de Queiroz e José Reginaldo Fernandes Aqüino
- Rafaele de Queiroz Aqüino
- Rafael Victor de Queiroz Aqüino

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