OTÁVIO TURÍBIO & UBALDINA QUEIROZ
Minha irmã Ubaldina nasceu no dia 2 de Junho de 1923, em Pau dos Ferros. Estudou no Grupo Escolar “Joaquim Correia”, onde posteriormente iria lecionar.
Mulher simples, caridosa e de fé inabalável, passou a ser funcionária dos Correios e Telégrafos, exercendo ali diversos cargos, culminando com a chefia do Serviço de Inativos e Dependentes (SID). Mesmo depois de aposentada, continuou fazendo favores aos amigos e as pessoas humildes que lhe procuravam.
Casou-se em 1941 com Otávio Turíbio de Souza, de cuja união nasceram cinco filhos, sendo dois falecidos. Dos filhos, Francisco Canindé e Fowler residem em Natal, e Gracinha mora no Distrito Federal.
Otávio Turíbio era comerciante em Pau dos Ferros, onde desenvolvia comércio de secos e molhados, tendo visto seu estabelecimento em falência devido a confiança que depositou em políticos, vendendo a eles em confiança ou o popular “fiado”.
De origem humilde, sem patrimônio e bens materiais que a distinguisse, Ubaldina era, contudo, possuidora de um tesouro inestimável em termos de bondade e amizade às pessoas que a rodeavam. Era incansável a sua vontade de servir, baseada na fidelidade, honestidade, com total desprendimento em suas ações. Sua presença e sorriso amigos eram símbolos do bem-querer e da amizade estimada por todos.
Ubaldina fazia dupla inseparável comigo, como corda e caçamba, pois onde estivesse uma a outra estava também, tanto nas missas como batizados desde o tempo de Pau dos Ferros.
Os ensinamentos que Ubaldina deixou, os exemplos que protagonizou servirão sempre como modelos de conduta e de filosofia de vida.
Faleceu na manhã do sábado 16 de Março de 1990, de parada cardíaca.
UBALDINA QUEIROZ TURÍBIO
Canindé, Fowler e Gracinha
Francisca Alzira do Rêgo e João Florêncio de Queiroz constituiram o tronco de uma família de dez filhos e, dos quais, fazia parte Ubaldina. Uma família humilde, honrada e muito trabalhadora, onde o estigma do sucesso fazia parte do seu dia-a-dia. A mãe de Ubaldina (Titinha), que era assim carinhosamente chamada, soube com energia e constante exemplo de trabalho criar toda essa família, pois ficava viúva muito cedo e, por cima, grávida de seu último filho, Manoel Florêncio.
Ubaldina foi criada por uma mãe viúva que muito soube administrar as suas poucas condições, auxiliada, já também, por alguns filhos casados e que trabalhavam duramente; assim foram: José Florêncio de Queiroz, Pedro Florêncio de Queiroz, Francisca Lopes Bezerra (Qui) e Raimunda Florêncio de Queiroz.
A mãe de Ubaldina, doravante chamada de Titinha, nesse relato, muito se preocupava com a educação dos filhos, uma inestimável qualidade para uma pessoa tão humilde, pois todos os seus filhos freqüentavam a escola, uns por pouco tempo, pois logo chegavam as obrigações do trabalho, a responsabilidade do casamento e as novas famílias constituídas, mas que, esses filhos mais velhos, todos ajudavam no sustento da mãe e de seus irmãos mais novos. Alguns irmãos de Ubaldina concluíram o curso normal, grau máximo para sua cidade do interior (Pau dos Ferros) naquela época, e, se formaram professores do Grupo Escolar Joaquim Correia, o único estabelecimento público e oficial da cidade.
Ubaldina lecionou nesse grupo escolar alguns anos, principalmente até a sua mudança para Natal, em 1950. Muito jovem (15 anos) casou com Otávio Turíbio de Souza, próspero comerciante em Pau dos Ferros. Dessa união tiveram os filhos: Francisco Canindé Turíbio, Cirurgião-Dentista, que se casou com sua prima legítima Margarida Maria Bezerra Turíbio e lhe dera três netos: Patrícia Maria Bezerra Turíbio, falecida aos 5 anos e 5 meses / Luciana Bezerra Turíbio e Marcelo Bezerra Turíbio, ambos universitários dos cursos de Direito e Publicidade, respectivamente; Francisco Fowler Queiroz Turíbio, formado Engenheiro Civil, lhe deu três netos do seu primeiro casamento com a Assistente Social Jorilza Barbosa Lira: Bruno Lira Turíbio de Queiroz / Igor Lira Turíbio de Queiroz e Diego Lira Turíbio de Queiroz. Do segundo matrimônio com a Engenheira Graciete Maria Dorneles de Queiroz Turíbio; Maria das Graças de Queiroz Turíbio, Bióloga, casada com o Engenheiro Agrônomo João Brígido Bezerra Lima, teve mais duas netas: Marília Turíbio Brígido, universitária de Agronomia, e, Simone Turíbio Brígido.
Em Natal, Otávio trabalhou no comércio (representações), precisamente, Teixeira & Filhos, e Sérgio Severo Representações, onde sempre desempenhava bem a parte de vendedor.
Ubaldina trabalhou no comércio, precisamente, no Armazém Natal, que naquela época, era como se fosse um supermercado de hoje. Mais tarde, graças ao seu ótimo relacionamento e esforço foi contratada para trabalhar no DCT (Departamento de Correios e Telégrafos), onde se firmou, prestando em seguida, concurso público e aprovada, garantindo assim, a sua nomeação oficial como Feletipista Morsista, o que dominava muito bem. Nos Correios, com sua inegável habilidade, preparo e liderança exerceu diversas carteiras (funções), tanto neste Estado, como nas cidades de Sorocaba-SP e Santos-SP, onde exerceu importante trabalho junto ao setor de Recursos Humano e Pessoal.
Em 1970, retornando a Natal, o DTC - Departamento de Correios e telégrafos passaria a Empresa dos Correios e Telégrafos (ECT), e, sob essa nova administração, Ubaldina se destacara mais uma vez, demonstrando conhecimento nas diversas áreas de serviço tanto interno como externo, o que foi logo reconhecido pela Direção Local da Empresa, que a convidou para exercer a chefia do SID (Serviço de Inativos e Dependentes) de toda a Empresa dos Correios e Telégrafos onde permaneceu até a sua aposentadoria, em 1975.
Não podemos deixar de registrar que, neste posto, onde exercia contato direto com todos os funcionários e familiares destes em todo o Estado, tornou-se uma pessoa extremamente querida e estimada, não medindo esforços em ajudar a classe e a todos que a procuravam.
Ubaldina, depois de sua aposentadoria, muito ao contrário do que imaginávamos, dedicava o seu tempo em total atividade, fazendo parte em algumas Pastorais, fazendo parte, também, do Apostolado da Oração, onde exerceu a Presidência, e também atuante na Irmandade do Santíssimo.
Desnecessário seria comentar a dedicação, seriedade, abnegação e o amor com que exercia às atividades da sua Igreja Católica.
Para aqui testemunhar e a todos que gozaram da sua convivência, quanto a sério levava os seus compromissos e devoções com os deveres sagrados, de sempre nas sextas-feiras à tarde ela tinha uma devoção com o Santíssimo na antiga Catedral, e, ali, ao pé do altar permanecia horas e horas ajoelhada e concentrada em suas orações, o que às vezes chamava a atenção do próprio padre da Igreja, que um dia chegou a perguntar a uma outra também fiel: “Dona Ubaldina passa esse tempo todo ajoelhada aos pés do Santíssimo? Não sei como suporta”. Talvez pela concentração e a fé das duas orações, com a mente inteiramente voltada para o Senhor, ela não percebia o tempo que passava nessa penitência, e também, sem dúvida nenhuma, com a força que recebia do mesmo Senhor, que reconhecia naquela serva tanta dedicação, humildade e fé.
É tanto, que às vezes, algumas de suas sobrinhas diziam: “Tia Ubaldina, peça as almas para me ajudarem nisso, naquilo, conseguir promoção, sucessos etc; o que eram realmente atendidas. Não sabíamos que poder exercia e recebia, mas sabíamos sinceramente, que as suas orações eram cumpridas fielmente até o último dia de sua existência.
Era de um espírito muito alegre e de uma convivência muito amiga, bastante comunicativa e afeita às suas sinceras amizades, onde sempre gozava de grande estimação e respeito.
Não relaxava com a sua aparência, pois sempre nas sextas-feiras pela manhã tinha a sua hora marcada no salão de beleza, e isso segui num verdadeiro ritual - do cabelo às unhas dos pés, sempre bem cuidados.
Dentro de suas posses trajava com simplicidade, descrição e beleza. O que podemos dizer, era uma “vaidade” muito suave para os dias de hoje.
Adorava cantar e, às vezes, em festas de aniversários ou reuniões de familiares, quando tocava alguma canção romântica da sua época, e também, de muitos que ali estavam, ela não tinha a menor cerimônia, cantava com todos e, muitas vezes até, sozinha! E isso consta em fitas gravadas por alguns familiares. Sempre foi romântica e alegre com a vida que Deus lhe reservou, não reclamava, pois sempre esperava o melhor, a sua fé era inquebrável e isso fez com que a desse força para superar muitos episódios difíceis de sua existência.
O seu esposo Otávio, conhecedor de como era sua forte personalidade, a tratava como uma rainha, e, às vezes, até por graça, alguns familiares diziam: “Não adianta Otávio, é o que Ubaldina quiser, quem manda é ela mesmo”.
Mas, só depois com a convivência e a beleza da maturidade, que só o tempo nos reserva, é que descobrimos que tudo aquilo era o respeito e o amor que ele tinha por ela, e tudo aquilo que ela fazia pela sua ótica, realmente era tudo certo, na graça de Deus.
Sempre amante que foi da alegria e amizade, Ubaldina tinha pavor de escândalos, brigas ou discussões entre as pessoas e logo tratava de desmanchá-los.
Adorava viajar, onde chegou a fazer viagem a alguns santuários - Sta. Nazaré - Belém/PA; Aparecida/SP; N. Senhora do Bonfim - Salvador/BA; São Francisco do Canindé - Juazeiro/CE; São Sebastião/RJ e Sexta-feira da Paixão/PE.
Não chegou a visitar Portugal, o Santuário de Fátima, o seu grande sonho e desejo, o destino assim, não permitiu. Não precisa dizer que lia passagens da Bíblia todas as noites e, sempre que podia, refletia com a família essas passagens de ensinamentos. Sempre arrecadava fundos para o convento Santo Antônio, o que hoje é lindamente seguido por sua inseparável irmã Cícera Queiroz.
Com o passar dos anos foram aparecendo em Ubaldina, sinais e sintomas de uma enfermidade muito peculiar na família, a hipertensão arterial, seguida de diabetes e por aí outros novos sintomas que, infelizmente, se agravaram a ponto de sofrer um enfarto fulminante numa manhã triste de sábado - 16 de março de 1990 - aos 66 anos Ubaldina partia desta vida e passava para a vida eterna, onde Deus com a sua bondade infinita, recolheu essa sua tão abnegada filha.
Dentro dos seus conhecimentos, trabalho e exemplo, ela deixou um exemplo fecundo a ser seguido pelos seus familiares, embora juntamente com tudo isso, deixou uma saudade doida e uma constante lembrança de sua mão amiga e caridosa, do seu sorriso amigo e compreensivo, e, com todos esses gestos, a lembrança que nos fortalece pela grandeza que fora no seu convívio de esposa, mãe, avó e amiga... OBRIGADO MAMÃE, POR TUDO QUE FOSTES PARA NÓS!
TIA UBALDINA
No grupo escolar joaquim Correia, dirigido pelo rigido Professor Dubas, que era Diretor e Prfoessor da 6ª série, Ubaldina teve um princípio de disciplina exemplar. Fazia parte de um grupo de moças que cantavam músicas sacras, ensaiavam com asséries escolares o Hino Nacional, Hino da Bandeira e o Hino da Escola. Estas vozes se esgaçaram no ar da saudade, ficando no esquecimento. Ela era alegre, alta, magra, com cabelos loiros e longos. Numa ocasião bem oportuna, Noberto Rêgo, filho de Dona Josefa, que morava no Sitio Alencar, fazia uma visita a família. Noberto estava na ocasião morando no Rio de Janeiro, trabalhava na firma Tertuliano Fernandes. Em Pau dos Ferros ele foi convidado para um almoço em casa da titinha. Naquele dia lindo com sol e ventos suaves, trazendo na briza o perfume das flores do mofumbal, o coração de Noberto pulsou tão forte que ele balbuciou na voz quando cumprimentou a Ubaldina. Não era para menos, o sorriso da Ubaldina era contagioso. A família ficou encantada quando o Noberto declarou que queria namorar. Naquele almoço onde tinha convidadas moças, dos Holandas, dos Alexandres, dos Noronhas. O Noberto não descartava a sua preferência. Foi um dia feliz para Titinha e D. Zezinha. O Noberto tinha em sua mente que Ubaldina seria a mulher de sua vida. Naqueles dias de férias a atenção do Noberto ficou voltada para Pau dos Ferros. O namoro de ambos estava com bom princípio. Ele voltou para o Rio com aquela angustiante separação. Mas o destino estava a espreitar quando surgiu a pessoa de Otávio Turíbio. Trabalhava no mercado numa grande loja de tecidos. Do balcão ele ficava a ver as beldades pauferrenses passar na praça existente em frente ao mercado, havia um corredo onde componentes da banda de música do maestro Moacir, tocavam dobrados na abertura e valsas e sambas-canções. Foi neste ponto de encontro das sete as dez da noite, que o Noberto perdeu a sua estimada namorada. As moças andavam de duas a duas pela praça. Otávio flertando e as voltas pelo passeio. Foi se aproximando aconchegando até o boa boite fatal. Naquele exato momento a Ubaldina deu ínicio a um namoro apaixonado. A noticia correu como relâmpago deixando a família em suspense. O que dizer ao Noberto? ubaldina ficou confusa. A ameaça de quarentena lhe foi imposta. Cantinho, quardado, em canto, riacho do meio? lugares escolhidos para as férias forçada. Quando Noberto soube do ocorrido ficou desesperado. Esperou a oportunidade de ir a Pau dos Ferros e foi. Fez uma tentativa, mas Ubaldina com aquele sorriso que não era seu, deu a decisão. Com a presença da Titinha disse, mamãe: não gosto do bertinho para casar, não vou fazê-lo feliz. Não conseguindo satisfazer o seu desejo Noberto foi para o Rio. Ubaldina que não teve mais paz, foi para o encanto passar uma temporada. Otávio confiante, deixava o tempo trazê-la de volta e o tempo que comanda tudo trouxe-a de volta. Quando ela chegou a cidade, aconteceu o imprevisto para a família. Otávio havia preparado a fuga com um seu amigo. Pela manhã ela errumou um pequeno pacote e as escondidas deixou pronto para a partida. Um único carro que havia na cidade, um mercure preto. Parou em frente a casa de Titinha, deu binal e ela saiu correndo e entrando no veículo, sentou-se euforíca. Foi levada para casa do amigo qu assumiu toda responsabilidade do evento. Daí só saiu para casar. Noberto morreu depois de lutar contra uma ferida na lígna que lhe saiu na fronte esquerda. Chegou a casar, não teve filhos.
DEBAIXO DA LARANJEIRA
Marcelo Bezerra Turíbio
Te amo vovó, como sempre... seu neto
Assim como o mar soube ser belo aos olhos do criador
Tu és eternamente linda aos olhos de nosso amor.
Assim como a saudade me castiga a cada lembrança
O meu coração a teu caminho se lança.
Assim como cada dia em que convivemos
A senhora não sabe como eu e Luciana contigo aprendemos.
Assim como agora está me dando vontade de chorar
Lembro de quando corria para te abraçar.
Assim como alguns anos se passaram desde a sua partida
Nunca consigo vê-la como uma triste despedida.
Assim como tiveres que ir mais cedo para longe de mim
Sinto constantemente que estás bem aqui, como uma essência de jasmin.
“Debaixo da laranjeira encontrei Tetelinho escolhendo flores...”
A senhora que nos ensinou, e vamos ensinar a seus bisnetos que, a flor maior e mais brilhante não está debaixo de um simples laranjeira,
E sim, em nossos corações prá sempre!
SAUDADE
Quando se sentia frio
Sentia-se uma proteção.
Quando estava com medo
O medo se transformava em sonho.
Quando chorávamos
Sentíamos uma mão macia.
Quando tínhamos vontades
Elas se realizavam no lanche da tarde.
Quando estávamos com alguma dificuldade
Relaxávamos com segurança.
Quando assim eu falo com honra maior
Estou falando de minha Avó.
Quando assim eu sinto saudade
É porque ela me acompanha em toda minha idade.
Com ELA não existia tristeza nem o pior
OBRIGADO VOVÓ.
MARCELO BEZERRA TURÍBIO
Seu Neto.
FILHOS
- Francisco Canindé Turíbio e Margarida Maria Bezerra Turíbio
- Francisco Fowler Turíbio - Jorilsa Lira Turíbio
- Graciete Maria Dorneles Turíbio
- Maria das Graças Brígido Lira - João Brígido
NETOS
Francisco Canidé e Margarida Bezerra
- Patrícia Maria Bezerra Turíbio
- Luciana Bezerra Turíbio
- Marcelo Bezerra Turíbio
Fowler Turíbio e Jorilsa Lira
- Bruno Lira Queiroz Turíbio
- Igor Lira Queiroz Turíbio
- Diego Lira Queiroz Turíbio
Fowler Turíbio e Graciete Dorneles
- Érik Dorneles Cunha de Queiroz Turíbio
- Débora Dorneles Cunha de Queiroz Turíbio
Maria das Graças e João Brígido
- Marília Turíbio Brígido
- Simone Turíbio Brígido