Nazareno

Minha História


Dos trios mariachis mexicanos, da bossa nova, da MPB mais pura e representativa ou dos quartetos de vocais afinadíssimos. Nazereno Vieira pode ser resultado de todas estas vertentes musicais. De certo, foi ungido sob o óleo da musicalidade e guarda na pele o sal e o sol potiguar. Este jovem senhor de 70 anos é filho de Macau, foi amigo pessoal de Wilson Simonal, tem composição gravada por alguns dos maiores intérpretes nacionais e objetiva criar nos próximos dias a Associação Potiguar dos Compositores Independentes do RN para cobrar respeito e espaço ao compositor norte-rio-grandense.
Nazareno é único no estilo de composição e impostação de voz, rouca, seresteira. Mas é mais um talento potiguar desprestigiado e longe dos louros do Sul Maravilha. Na região dourada pelo sucesso, Nazareno viveu décadas rodeado de famosos. Cantou nas melhores casas da noite paulistana, carioca e nos programas vespertinos do Chacrinha, Raul Gil, Silvio Santos, Bolinha# Das suas110 composições, Emílio Santiago, Noite Ilustrada, Simonal, Elizeth Cardoso gravaram algumas. É um artista nacional preso entre as muralhas da capital desconsagrada de Cascudo. "Natal é minha cidade; eu adoro, mas para o artista é um cemitério; verdade seja dita".

Depois de um intervalo de mais de uma década, Nazareno voltou a gravar. O CD Feliz da Vida foi lançado ano passado com participação dos filhos de Wilson Simonal: Simoninha e Max de Castro, além dos antigos parceiros musicais, Tová e Neném; o prestigiado compositor e cantor Luiz Américo; o potiguar João Batista; e seu irmão Gilson, ainda com carreira no Rio de Janeiro e músicas gravadas por mais de 30 artistas nacionais, desde Altemar Dutra a Paula Toller e outros mais internacionais. Como cita Nazareno, Gilson - autor de I Love You Baby e Casinha Branca - é outro artista nacional apagado para a mídia.

"Gilson tem pelo menos 12 sucessos nacionais. A luta do compositor é muito árdua. O glória do sucesso vai para o Emílio Santiago, grande intérprete das músicas de Gilson. Quer outro exemplo? Gilson não vem ao Seis e Meia como atração nacional. Se vier é local, para receber mil reais. Fábio Lima (diretor adjunto da Fundação José Augusto) já me disse que Gilliard tem mais nome que ele. Ora, Gilliard tem um sucesso nacional. E nem Gilliard chamam". O compositor reclama ainda da cultura local voltada ao que vem de fora: "No Seis e Meia, as pessoas esperam no pátio do Teatro a atração nacional, enquanto o artista local canta para ninguém".

Nazareno enumerou uma lista de dezenas de cantores, compositores e intérpretes potiguares de "nível nacional e internacional" que poderiam substituir ou integrar o time de nomes consagrados da Mpb nacional. Alguns sequer conhecidos do público local, como Andrezza e Diana Cravo, ou músicos como Eduardo Taufic, Jubileu, Joca Costa, Sérgio Groove e Manoca. "Temos ainda o João Batista que é muito maior do que aquele programa que ele participou (Fama) e é um dos grandes cantores do Brasil. Já passou o tempo do reconhecimeto aos nossos valores".

Depois de lançar 12 Lps enquanto integrou trios, duplas e quartetos musicais no eixo Rio-São Paulo, entre as décadas de 60 e 70, Nazareno foi convidado para abrir o show da intérprete Joana, no projeto Seis e Meia, em setembro do ano passado. O compositor de Vai doer, já gravada na Europa na década de 70 por Edi Goouneth, e regravada pela mesma cantora em 2005, vive hoje de convites esporádicos para produção musical de Cds e shows, de uma parca aposentadoria e da marmitaria da esposa, com quem tem dois filhos: um de nove anos e uma bebê de nove meses.
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