Moacyr de Góes

Minha História


Moacyr Góes foi meu professor de História no Atheneu. De saída, ele se destacava por ser muito jovem, vestir-se de maneira esportiva, diferente dos velhos mestres de se cozinhavam, coitados sob o forno dos seus ternos de casimira. Mas o maior destaque do professor era a sala de aula. Moacyr conquistava seus alunos, mesmo os mais rebeldes, com a explanação clara, sem linguagem professoral, e um grande conhecimento da matéria. Suas provas mensais não eram de perguntas e respostas usadas comumente. Eram interpretações de um determinado episódio da história do brasil. E ai quase toda turma tirava nota baixa. Aquele professor boa praça que cativava a todos com sua simpatia, era muito rigoroso quando dava notas. Mas, no fim do ano, ele sempre encontrava uma forma de socorrer os mais necessitados e nao reprovava ninguem.
A admiração e o respeito que tive pelo professor Moacyr de Góes, a partir dos 14 anos de idade, se transformaram com o tempo numa sólida amizade. Em 1964, estive preso no Quartel da Polícia Militar, na compahia dele, de Vulpiano Cavalcanti, Luís Maranhão e outros presos ilustres. Moacyr era um preso tranquilo, criativo, que estava sempre encontrando formas para amenizar o desconforto de cadeia. Depois de passar oito meses na prisão. Moacyr de Góes juntou os trapos e se foi com Conceição e os cinco filhos para o Rio de Janeiro. Um gesto de coragem, de ousadia, diante da expectativa de sobreviver numa cidade grande sem dinheiro e com uma familia numerosa. Três anos mais tarde eu tambem iria morar no rio e lá retomei contato com Moacyr
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