Cultura Potiguar

Minha História


Pelo voto democrático, a classe artística potiguar elegeu, quarta-feira passada, os primeiros cinco membros do Conselho Municipal de Cultura. Os cinco titulares restantes ainda serão definidos através da escolha direta pela Prefeitura de Natal. Sem ganhar um centavo sequer por sua atuação, a nova equipe do conselho terá responsabilidades que, se exercidas com seriedade, resultarão em ganhos até então nunca proporcionados aos artistas que residem na capital potiguar. Para se ter uma ideia, sua principal atribuição vai ser o gerenciamento do Fundo Municipal de Cultura, um dos principais e mais antigos desejos da classe que, enfim, vai ser posto em prática a partir de janeiro do ano que vem.
"Com o fundo, a vida dos artistas ficará mais fácil", foi enfático o músico e percussionista Jorge Negão, um dos candidatos eleitos. Com 25 anos de estrada, o também diretor do grupo Folia de Rua se alegra ao presenciar uma união artística antes pouco observada. "Os artistas estão se unindo por um objetivo maior, que é a busca pelos incentivos fiscais antes posta apenas nas mãos dos produtores", declarou Jorge. "Para mim ser eleito pelos próprios artistas foi maravilhoso e eu só tenho a agradecer", complementou.

Esse sentimento parece ser unânime entre os novos membros do Conselho. Em sua maioria, são pessoas que lutam pela democratização dos recursos destinados à cultura e, principalmente, propõem alterações aos mecanismos que garantem renúncia fiscal de empresas. "Quanto às leis de incentivo à cultura, além da renúncia fiscal, acredito que as empresas deveriam dar uma contribuição própria. Hoje, elas escolhem quem querem 'patrocinar' e acabam inserindo sua marca em grandes grupos e festas", apontou Jorge Negão, mais uma vez destacando como essencial o Fundo de Cultura. "Agora, os pequenos grupos também poderão ser beneficiados".

Outro membro, o jornalista, roteirista e documentarista Paulo Laguardia é uma figura carimbada nas discussões que envolvem melhorias à culturapotiguar. Antes mesmo de sua posse como conselheiro, ele já visualiza a necessidade de alguns assuntos serem antecipados. "A primeira coisa a fazermos é uma espécie de regimento interno definindo normas e, principalmente, estabelecendo critérios éticos de atuação. Um deles, por exemplo, é que nenhum conselheiro possa apresentar projeto", elencou, ressaltando ainda o aspecto democrático, com o cuidado de não privilegiar nenhuma área. "Só resta ao governo do estado correr atrás e criar o seu próprio fundo", incitou Laguardia.

Na opinião da produtora cultural Daniele Brito, candidata mais votada durante a eleição, até o momento - com os atuais cinco membros -, o Conselho tem apresentado uma boa composição. "Não sabemos como será o conjunto total", preocupa-se. Na ativa desde 1987 com o foco no audiovisual, Daniele observou que, até então, nenhum membro havia representado a área de vídeo no Conselho. "E agora teremos duas representações". Os outros membros eleitos foram a produtora cultural Janaína Sena e a Federação das Quadrilhas Juninas Estilizadas e Tradicionais do Rio Grande do Norte.
Índice | Como funciona | Cadastro | Contato
Conheça a Rits Comunicação & TecnologiaConheça a Rits Comunicação & Tecnologia