
Retrato
Andréa Tonelotti
Vovó era suave, doce, meiga, alegre....
sempre alegre,
sempre sorrindo.
Exemplo de força e dedicação.
Uma vida voltada ao próximo, à
família, à igreja.
Viveu 90 anos, quase 91,
era mulher forte.
Vaidosa, parecia uma boneca:
sempre arrumada, em seus vestidos de golas e babadinhos engomados do mais
puro gosto.
Ia todos os dias à missa.
E como católica devota participava de toda programação da igreja.
Festeira, gostava de passear,
almoçar fora.
Casamenteira, adorava ver casais
se unindo à luz da benção da igreja, de Deus.
Casada, fez bodas de diamante.
Viveu 60 anos de matrimônio com José Augusto da Silva, tiveram 18 filhos,
muitos netos e bisnetos.
Exemplo de mãe, amiga, esposa e filha.
Profissional respeitada, foi professora por 42 anos.
Nos livros de auto-ajuda da recente literatura que ensinam a viver melhor, ela seria mestra, pois nunca vi, conheci pessoa mais alegre, era impressionante. O modo, o jeito meigo,
suave de falar, relatar assuntos do cotidiano, que para nós pareciam muito
tristes, ela contando transformava a estória em sua leitura do assunto - o
fazia agradável, era muito positiva mesmo.
Não sei se consegui fazer um retrato, um relato fiel à sua imagem, pois essa mulher forte era
impressionante.
Dona Cícera foi dessas raras pessoas que vivem, literalmente, e fazem a diferença na vida dos que a conheceram, tiveram esta alegria, esta doce ventura.
Cícera Queiroz viveu realmente plena de luz, seguiu o caminho que todos deveríamos trilhar, foi exemplo de caridade.
Vovó eu sou sua fã e esta singela homenagem é para que outros conheçam um pouco de sua
brilhante história.
Andréa Tonelotti Del Moro
<andreatonelotti@ig.com.br>
Atibaia (São Paulo), 06/01/2006
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Vovó texto II - Retrato
Sim Andrea,
Parabéns,
O seu relato foi o mais fiel retrato da nossa querida e saudosa avó.
Dona Cícera foi uma criatura única, iluminada. Generosa além da conta.
Exemplo de mãe, mulher e amparadora. Fiel a suas convicções, era a pessoa mais positiva que conheci. Tão positiva que não consigo imaginar como alguém com tamanho desvio na coluna não só tinha condições de andar como não sentia um pingo de dor.
Como ela sempre respondia ao ser cumprimentada: "Não sinto uma dor na unha".
A vida estava sempre linda, maravilhosa e sorrindo para ela. Viveu. Viveu, viveu e viveu, plenamente.
Wagner Braga
<wagner_braga@hotmail.com>
Natal, 30 de janeiro de 2006.
Amigos e familiares,
saúdo hoje a todos vós.
Homenageando, em cordel,
a mestra de todos nós.
Do fundo do coração,
quero abraçar, com emoção,
Dona Cícera Queiroz.
João Florêncio de Queiroz,
era o nome de seu pai.
Francisca Alzira, sua mãe;
que da mente, não lhe sai.
Casal digno de louvores,
também aos seus genitores,
minha homenagem vai.
Veio ao mundo em Pau dos Ferros,
prá a todos seus, alegrar.
Dia vinte e três de maio,
em quinze, posso afirmar.
Orgulho da região,
do seu amado sertão,
no alto oeste potiguar.
A mãe, uma religiosa,
digna de mil afetos.
Francisca Alzira, “Titinha”,
com seu cachimbo indiscreto,
quem dela se aproximava,
com a mesma, se encantava;
ao morrer, deixou cem netos.
João Florêncio de Queiroz,
o pai, era agricultor.
Comerciante, açougueiro,
honesto e trabalhador.
Êle morreu, seu fulano,
aos quarenta e quatro anos,
muito novo, seu doutor.
Famílias Rêgo e Queiroz,
gente tradicional,
no oeste do Rio Grande,
se enraizaram, afinal.
Suas raízes mais profundas,
dizem que são oriundas,
da “terrinha”, Portugal.
Radicados em Pau dos Ferros,
no oeste potiguar,
lutaram dioturnamente,
dia e noite a trabalhar.
E ali na região,
fizeram fixação,
fronteira com o Ceará.
Dona Cícera, em família,
teve a sua criação.
Pelos princípios morais,
de alma e de coração.
Cheia de felicidade,
faz parte de uma irmandade,
uma prole de onze irmãos.
À lida com a filharada,
foi logo se acostumando.
Todo ano era um menino (a),
e ela de tudo cuidando.
Depois, já não se espantava,
porque quando engravidava,
inda estava amamentando.
Teve ela, vinte e um filhos,
uns danados, outros quietos.
Desses filhos que ela teve,
ela ganhou trinta netos.
A inda tem, da netarada,
já doentinha e cansada,
feliz, seus vinte bisnetos.
Dona Cícera casou,
com dezessete anos de idade.
Zé Augusto com trinta e seis,
o dobro da sua, é verdade.
Viúvo, trouxe dois filhos,
na vida, pelos seus trilhos,
lhe trouxe felicidade.
Casaram e sessenta anos,
felicidade radiante.
De amor e compreensão,
e carinho a todo instante.
Suas vidas coroaram,
de exito e celebraram,
as bodas de diamantes.
Zé Augusto, comerciante,
de tecidos e cereais.
Viveu noventa e seis anos,
sério, honesto e bom pai.
Forte que nem uma baraúna,
da cidade de Uiraúna,
da lembrança, não lhe sai.
Dona Cícera, exemplo,
mestra e eterna aprendiz.
Vendeu roupa à prestação,
sempre alegre e feliz.
Ensinou quarenta anos,
suplantou mil desenganos,
fazendo sempre o que quis.
Boa esposa, companheira,
à família, dedicada.
De tanto Ter trabalhado,
ela é aposentada.
Professora, comerciante,
crediarista, ambulante,
na vida, realizada.
Tem ex-alunos importantes,
médicos, políticos, dentistas.
Advogados, doutores,
integrando a sua lista.
De tão bem dado, o recado,
Tem Ministros de Estado,
lhe agradecendo a conquista.
É irmã do deputado,
Antônio Florêncio de Queiroz.
O deputado do sal,
explico em versos, a vós,
mas quando o sal, seu doutor,
tinha seu real valor,
e ajudava a todos nós.
Uma líder religiosa,
de missa todos os dias.
Com a sua comunidade,
nas tristezas e alegrias.
Na sua eterna peleja,
só não estava na igreja,
quando a doença impedia.
Devota de Nossa Senhora,
faz questão de declarar.
Pela Mãe, Virgem Maria,
o seu amor proclamar.
De improviso, sem ensaio,
todo ano, no mês de maio,
promove o terço em seu lar.
No ano de oitenta e nove,
criou-se uma instituição.
Para eternizar seu nome,
e esta mulher em questão.
Orgulho de todos nós,
Dona Cícera Queiroz,
é o nome da fundação.
Uma entidade criada,
prá servir à humanidade.
Com melhoria de vida,
prá cada comunidade.
Como Jesus ensinou,
ao próximo se dedicou,
na essência da verdade.
Também lá, foi instituído,
um prêmio para exaltar,
em cada ramo da vida,
o melhor em cada lugar.
No Rio Grande do Norte,
os melhores, estão, por sorte,
no Prêmio Águia Potiguar.
Saúde fragilizada,
Dona Cícera, agora está,
com noventa anos de idade,
num hospital a lutar,
prá Ter de volta a saúde,
numa bem clara atitude,
de quem vive a batalhar.
Neste ano dois mil e cinco,
ela diz sempre a sorrir,
que realizou seus sonhos,
depois, torna a repetir,
Que agora, só faz na vida,
com a sua missão cumprida,
rezar, comer e dormir.
Sempre ajudou aos carentes,
do fundo do coração.
Seja com bens materiais,
palavras e educação.
De Espírito de Luz,
sempre esteve com Jesus,
ajudando ao seu irmão.
Tem filhos em todo ramo,
da vida, no seu labor.
Tem jornalista, fiscal,
tem militar e contador.
Tem também, nesse cenário,
industrial, funcionário,
público e educador.
Bancário, comerciante,
político, administrador,
tem também dona de casa,
nos frutos do seu amor.
Do seu exemplo materno,
trabalho profícuo e eterno,
prá Deus Pai, Nosso Senhor.
Lá da “Tromba do Elefante”,
de sua criação silvestre,
dona Cícera espalhou,
dee norte a sul, leste a oeste,
um bem que aqui eu louvo;
a semente do seu povo,
em todo o globo terrestre.
Dona Cícera, és exemplo,
lhe juro nos versos meus,
que orgulha sobremaneira,
e alegra os entes seus.
Exemplo de criatura,
de fortaleza e candura,
feita pelas mãos de Deus.
Que Nosso Pai, lá do céu,
na sua infinita bondade,
na sua misericórdia,
lhe conceda, na verdade,
um destino primoroso,
de Deus, Todo Poderoso,
segundo à sua vontade.
Com toda sinceridade,
nos versos a escrever,
juro que Papai do Céu,
saberá lhe oferecer;
quando chegar o momento,
pelo seu merecimento,
os seus frutos a colher.
Ao finalizar seus versos,
esse poeta lhe diz:
Dona Cícera, não sei nada,
sou um eterno aprendiz.
Deus lhe dê saúde e paz,
pois Êle sabe o que faz,
e a gente; nem o que diz...