"Oi, meu nome é Bruce. Sou um cão da raça Doberman e tenho três anos. Estava fraco, com problemas de pele e um tumor em uma das minhas patas. Fui resgatado, passei por uma cirurgia e estou recuperado. Preciso agora de um dono e de uma casa com bastante espaço".
"Oi, eu sou Romeu. Fui encontrado na rua revirando lixo. Estava cego. Fui resgatado e levado a uma clínica veterinária e estou em tratamento para recuperar a visão do olho esquerdo. Perdi a visão do olho direito. Tenho cinco anos e preciso ser adotado com urgência".
O histórico de maus tratos não é a única coisa em comum entre esses cães. Os dois estão em lares temporários da Ong Amimais, aguardando adoção. Apesar da falta de sede própria, a Ong conseguiu resgatar e encaminhar para adoção mais de 800 cães e gatos, em quatro anos de trabalho. O objetivo da Ong é conscientizar a população sobre a posse responsável dos animais.
O Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) de Natal também desenvolve uma campanha de adoção de cães e gatos. Cerca de 500 animais são adotados por ano no centro. Mas o número de adoções é reduzido, se comparado à média de sacrifícios mensais, que chega a 300 cães por mês.
De acordo com o diretor do CCZ, Diógenes Soares, apenas os animais doentes são sacrificados. "Não podemos tratá-los. Apenas tentamos abreviar seu sofrimento". O período de adoção é de apenas três dias. "Tentamos adiar o prazo até o animal ser adotado".
O próprio Diógenes adotou animais abandonados no Centro. A gata Elizabeth III foi deixada lá, fraca e cheia de pulgas. "Hoje, ela está totalmente integrada a minha rotina", relata. "Quando adotei Juvenal ele cabia na palma da minha mão", acrescenta Diógenes Soares, referindo-se a Juvenal Antena, cão SRD (Sem Raça Definida, popularmente chamados de vira-lata). "Hoje, ele é meu cão de guarda", declara.
Segundo ele, o futuro dono precisa ter consciência de que o animal não vai ser um filhote durante a vida inteira. "Ele cresce, sofre acidentes, envelhece, adoece. As pessoasprecisam assumir essa responsabilidade". A veterinária e voluntária da Ong Amimais, Fabíola Medeiros, também adotou animais que se encontravam em situação de risco. "Adotei dois gatos e uma cadela. Também cuido de Dolly, uma cocker spaniel idosa e cega, encontrada na praça cívica há três meses". Para Fabíola, cada adoção é uma conquista. "Sinto-me realizada quando vejo um animal abandonado se recuperar e encontrar um dono. Fico feliz por fazer a minha parte", conclui.