Á PROCURA DE DEUS
Um homem desesperado,
nos trôpegos passos seus,
no álcool, infeliz da vida,
desgrudou dos fariseus;
num desespero profundo,
saiu pelo meio do mundo,
louco, à procura de Deus.
Foi lá na Igreja Católica,
procurou lá no altar.
No templo dos protestantes,
todos estavam a orar.
E êle, de cima a baixo,
não sossegava o seu facho,
e nada de a Deus, encontrar.
Foi ao terreiro de humbanda,
danou-se a bater tambor,
foi à Igreja Universal,
até à Deus É Amor.
E encontrar, não conseguia,
procurando, noite e dia,
Jesus Cristo, o Salvador.
Na incessante procura,
chegou à beira do mar.
Desanimado e exausto,
sentou-se prá descansar.
E logo que êle sentou,
um garotinho, avistou,
bem sorridente, a brincar.
Acercou-se do garoto,
dizendo, de alto e bom som:
Ei; você que está brincando,
vestindo short marrom;
me diga onde Deus está;
que eu lhe dou, pode apostar,
uma caixa de bombom.
E o menino, ao mesmo tom,
lhe disse: Êle está nas ruas,
e no mundo, em todo canto,
com as mizericórdias suas.
Se queres mesmo apostar,
diga onde êle não está,
que em vez de uma, eu lhe dou duas...
Autor: Bob Motta
Da Academia de Trovas do Rio Grande do Norte
Da União Brasileira de Trovadores-UBT-RN
Do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte
CUÉCA SAMBA NAÇÃO
M O T E
CUÉCA É SAMBA NAÇÃO
TAMBÉM GUARDA O VIL METAL
G L O S A S
1. A cuéca já guardou,
bufa e peido de rajada.
Pomba já mole e cansada,
merda que não se limpou.
Esse tempo já passou;
cuéca, agora é a tal.
No país do carnaval,
não é mais samba canção,
CUÉCA É SAMBA NAÇÃO,
TAMBÉM GUARDA O VIL METAL...
2.Não é mais samba canção,
pois está fora de moda.
Se comenta em alta roda,
CUÉCA É SAMBA NAÇÃO.
O assessor do irmão,
de Genoíno se deu mal.
Sua cuéca, afinal,
concluiu, êle, absorto;
que além do seu pinto morto,
TAMBÉM GUARDA O VIL METAL...
Autor: Bob Motta
Da Academia de Trovas do Rio Grande do Norte
Da União Brasileira de Trovadores-UBT-RN
Do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte
POETA MATUTO CUM NOME DE AMERICANO
O meu nome é Bob Motta,
sô matuto, bicho hôme.
Mais munta gente incucada,
seu pensamento cunsome.
Quando a questão vem à tona,
todo mundo questiona,
o pru quê dêsse meu nome.
E ais pessoa tem razão,
de istranhá, seu fulano.
Diz qui ao me registrá,
meu pai cumeteu um ingano.
Eu, um poeta matuto,
de linguajá puro e bruto,
cum nome de americano.
O meu nome era prá sê,
Mané, Ontôin ô Pêdíin.
Luiz, Tumé, Possidônio,
Damião, Juca ô Zézíin.
Zuza, Vavá, Arcelino,
Apolonho, Tributino,
ô intonce, Francisquíin.
Mais, porém, o qui acuntece,
é qui in Natá, minha mãe terra,
nascí in quarenta e oito,
dispôi da sigunda guerra.
Meu pai me levô daqui,
p’ro sertão do carirí,
p’ruis forró de pé de serra.
Natá, na sigunda guerra,
foi importante na históra.
Mode incruzá o Atrântico,
ficava na trajetóra.
E Parnamirim, bacana,
era a Base Americana,
o Trampolim da Vitóra.
Foi munto grande a influença,
qui aqui sofreu, cada crã.
Tudo qui uis cara fazia,
tarde, noite e de menhã;
foi puraqui adotado,
quage tudo assimilado,
da terra do Tio Sam.
A manêra de vistí,
a manêra de falá,
ais musga, cumportamento,
tôda curtura, afiná.
E ais jove natalense,
só quiria uis gringo, pense,
na hora de se casá.
E uis pai a batizá,
uis fíi, Richard, Jonh, Bill,
Natalie, Sebastian, Paul,
Peter, Julie ô Will.
E meu pai, de peito aberto,
butô meu nome Roberto,
era um EUA no Brasil.
E cuma o nome Roberto,
é Bob, lá pruis fulano,
assim me apilidaro,
dia a dia, ano a ano.
Eu acho qui isso ixprica,
e acaba cum a futrica,
do meu nome americano...
Autor: Bob Motta
Da Academia de Trovas do Rio Grande do Norte
Da União Brasileira de trovadores-UBT-RN
Do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte
VOCÊ RIMA COM...- Poema Matuto
Meu amô, nêsses meus verso,
quero amostrá, pode crê,
o qui VOCÊ representa,
querida, no meu vivê.
Amostro chêi de emoção,
sem quaiqué inibição,
minhas rima prá VOCÊ.
VOCÊ rima cum meu sonho,
rima c’á minha sodade,
rima c’á minha alegria,
c’á minha necessidade.
Cum a minha inspiração,
rima c’á minha paixão,
c’á minha felicidade.
VOCÊ rima cum tezão,
cum seu bêjo apaixonado,
cum o arto astrá de sua presença,
cum meu abraço apertado.
C’as minha zurêia rôxa,
imprensada in tuais côxa,
cum eu feliz, subjurgado.
VOCÊ rima cum erotirmo,
c’á sua pele sedosa,
cum seu prefume gostoso,
cum sua vóiz melodiosa.
C’á minha língua e minha bôca,
qui lhe dêxa quage lôca,
seja in verso ô seja in prosa.
VOCÊ rima cum seus peito,
no fríi, rima cum calô,
cum um gôzo preno, infinito,
mais êsse seu trovadô.
Rima c’á luz do luá,
cum seu poeta a decramá,
prá você, versos de amô.
VOCÊ rima cum um biête,
de amô, qui iscreve prá mim,
e cum a fulô mais bunita,
do mais bunito jardim.
Isso ixprica, minha fía,
meu vivê, minha alegria,
pruquê sô feliz assim...
Autor: Bob Motta
Da Academia de Trovas do Rio Grande do Norte
Da União Brasileira de Trovadores-UBT-RN
Do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte
CARENÇA TOTÁ – Poema Matuto
Eu tô qui nem um zumbí,
andando a êrmo, sózíin,
sem você, sem seu caríin,
sem seu bêjo e seu calô.
Sem o seu surriso lindo,
eu tô infeliz da vida,
preciso de tu, querida,
preciso do teu amô.
Preciso do teu oiá,
de ficá mais tu, só nóis,
preciso da tua vóiz,
te juro, sem gaiofança.
Sofrendo c’á tua ausênça,
in nada, eu tenho consôlo,
tô cuma um minino tôlo,
chorando feito criança.
O meu sufrimento é tanto,
qui uis remendo incolocado,
sofre cum o acelerado,
do meu véio coração.
Muleque, qui nem tu sabe,
mais nêsse infiliz sufôco,
mode ixprudí, farta pôco,
qui nem bomba de São João.
A medicina num cura,
nem Pai de Santo ô Dotô,
sufrimento ô má de amô,
e eu vô munto mais além.
Se nóis se qué cumo diz,
e se ama inté demais,
só um remédio é eficaiz:
É nóis dois ficá de bem...
Autor: Bob Motta
Da Academia de Trovas do Rio Grande do Norte
Da União Brasileira de Trovadores – UBT – RN
Do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte
MEUS POEMAS AMOROSOS
Meus poemas amorosos,
com erotismo e tezão,
escrevo com o coração,
e não acho escandalosos.
Se parecem maliciosos,
é porque o falso pudor,
jogo fora, meu amor.
E tu podes ter certeza,
prá êles, busco a beleza,
no teu corpo sedutor.
Num longo aperto de mão,
no fogo do teu olhar,
num sorriso a insinuar,
a propícia ocasião.
Na doçura de um chupão,
em mil lugares gostosos.
Nos beijos maravilhosos,
de tua boca insaciável,
na tua língua incansável,
e teus seios apetitosos.
No espaço entre os dois, cheiroso,
nos teus mamilos armados,
nos teus pelos eriçados,
num abraço em pleno gôzo.
Num afago carinhoso,
no espaço prometedor,
do umbigo ao púbis, setor,
da fruta doce e gostosa,
da mais formosa das rosas,
do jardim do teu amor.
Nas coxas grossas, roliças,
no mais que lindo quadril,
em tua bunda, nota mil,
cujo meu tezão cobiça.
Na beleza da preguiça,
que vem de ti, saciada.
Em tua calcinha rendada,
em ti, sorrindo prá mim,
sobre o lençol de cetim,
languidamente estirada...
Autor: Bob Motta
Da Academia de Trovas do Rio Grande do Norte
Da União Brasileira de Trovadores-UBT-RN
Do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte
S O D A D E – Poema Matuto
Dessa palavra, sodade,
num existe tradução.
É uma dô qui quando ataca,
nuis faiz sofrê de muntão.
É dô qui quando se sente,
mexe cum tudo da gente,
lá dento do coração.
Sodade num tem plurá;
purisso véve sòzinha.
Martratando munta gente,
do seiviçá à rainha.
Machucando c’a lembrança,
ais vêiz matando a isperança,
de quem prá ela, caminha.
Faiz o valente chorá,
faiz o forte isfraquicê,
faiz a gente se lascá,
sem drumí e sem cumê.
O cabra fica reiádo,
sofrendo disisperado,
pidindo a Deus prá morrê.
E o hôme, principamente,
acredite se quizé.
Sofre c’a situação,
nisso pode fazê fé.
O cabra sofre à vontade,
se a danada da sodade,
fô do tá “bicho muié”!
O dia fica cumprido,
o cabra acorda chorando.
Passa o dia puros canto,
mocorongo, matutando.
Num consegue nem surrí,
e ais vêiz, quando vai drumí,
vai se deitá saluçando.
Mais inda resta um consolo,
digo na minha poesia.
Antes de incruzá cum ela,
facilmente tu surría.
Pode iscrevê qui é verdade;
adonde ixistí sodade,
arguém foi feliz, um dia.
Prá finalizá, eu digo,
puro mundo, andando a êrmo.
Do fundo do coração,
cum meu peito todo infêrmo.
Sodade; digo surrindo:
É isso qui eu tô sintindo,
de você agora mêrmo!...
Autor: Bob Motta
Da Academia de Trovas do Rio Grande do Norte
Da União Brasileira de Trovadores – UBT – RN
Do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte
NA CALADA DA NOITE – Soneto
Na calada da noite, eu me agarro,
nos teus seios, um do outro, com ciúme.
De onde emana gostosíssimo perfume,
um tempero mui gostoso em que me amarro.
Vou descendo, arrastando tua calcinha,
e explorando a perfeita anatomia.
Minha língua tenta escrever poesia,
rascunhando no teu corpo, prenda minha.
Tuas palavras, sussurros e gemidos,
são carícias divinais para os ouvidos,
desse teu apaixonado trovador.
É um ato tão puro e verdadeiro,
que a vontade, é gritar p’ro mundo inteiro,
que o que a gente está fazendo, é amor...
Bob Motta
Da Academia de Trovas do Rio Grande do Norte
Da União Brasileira de Trovadores-UBT-RN
Do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte
UM TRABÁIO PRAZERÔSO – Poema Matuto
Eu tô pensando in você,
no cubertô inrolada,
totaimente agasaiáda,
qui nem gata no burráio.
Meia, pijama de lã,
dois, trêis lençó de aigodão,
se tremendo de muntão,
pro debaixo do agasáio.
E assim pensando in tu,
nesse preciso momento,
fantasio in pensamento,
um trabáio prazerôso.
E fico aqui matutando,
o qui é qui eu ía fazê,
pru mode te potregê,
desse inverno rigoroso.
O premêro qui eu fazia,
era uma gostosa sôpa,
de sirí, ostra e garôpa,
de gôsto, uma coisa lôca.
Eu mermo ía te seiví,
você todinha enrolada,
colocando ais cuierada,
cum caríin, na tua bôca.
Adispôi, vinha o mió;
você mais animadinha,
eu lhe dispía tôdinha,
você já quente; e apôis ?
Num era burrice, não;
êsse seu véi torvadô,
cum seus bêjo e seu amô,
agasaiáva nóis dois...
Autor: Bob Motta
Academia de Trovas do Rio Grande do Norte
União Brasileira de Trovadores-UBT-RN
Instituo Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte