HISTÓRIA, DINÂMICA E ESPACIALIDADE: ALGUMAS REFLEXÕES SOBRE A (RE)PRODUÇÃO DO ESPAÇO URBANO DO BAIRRO DO ALECRIM EM NATAL-RN
Introdução
O processo de urbanização vivenciado atualmente é um reflexo de alguns problemas sociais como a pobreza e a falta de emprego, juntamente com a implantação das políticas de industrialização nas cidades brasileiras. Diferente do que se procedeu na região sul do País, a inclusão do Nordeste, nesse processo, aconteceu em um ritmo mais retardado, movido basicamente pela implantação de políticas de apoio às médias e grandes indústrias, ação dirigida pela Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (SUDENE).
Semelhante ao que tem acontecido na maioria dos centros urbanos nordestinos, no Rio Grande do Norte, o processo de urbanização se espalhou de forma rápida e intensa. Na década de 1960, por exemplo, 37,6% das pessoas viviam nas cidades, e hoje praticamente 75% dos habitantes do estado residem nos centros urbanos potiguares (IBGE, 2000). Mesmo com este crescimento populacional, verificamos que, atualmente, o estado dispõe de apenas dois grandes pólos demográficos em seu território: no extremo oeste, a cidade de Mossoró e no leste, os municípios componentes da Região Metropolitana de Natal[2], área esta que concentra mais de 40% de toda a população do estado, alojados principalmente nas cidades de Parnamirim e Natal (IBGE, 2000).
Tanto na cidade de Natal, como em outras áreas que compõem sua Região Metropolitana, é possível observar fenômenos derivados deste crescimento desordenado, como a favelização, a violência urbana, os problemas de trânsito, dentre outros, surgidos como conseqüência do rápido processo que vem atingindo a região, tendo se intensificado nas últimas décadas do século passado.
Como tem se verificado em outras áreas metropolitanas do país, a Região Metropolitana de Natal vem atingindo, nos últimos anos, grandes taxas de crescimento urbano, representadas principalmente pelo processo migratório que faz do grande centro urbano o principal destino das pessoas oriundas do interior em busca de melhores oportunidades de emprego e moradia, enfim, de uma melhor qualidade de vida.
Hoje, com uma população estimada de 725 mil habitantes, distribuídos em uma área de 15.821,89 ha, dividida em quatro regiões administrativas e estas subdivididas em 36 bairros, Natal aparece como palco principal para a investigação dos principais fenômenos urbanos existentes no estado (BGE, 2000).
O bairro do Alecrim sugere a investigação destes fenômenos urbanos, tendo em vista, que o mesmo apresenta características que o colocam com um dos bairros mais importantes da cidade de Natal. A área onde se localiza o bairro é repleta de elementos a serem analisados pela ciência geográfica, observado pelo longo período de sua existência, marcado por acontecimentos importantes para a formação da atual dinâmica e (re)produção sócio-espacial da cidade.
Este trabalho será discutido sob a ótica de dois momentos: no primeiro faremos uma visita a alguns temários que discutem conceitos que serão utilizados no trabalho e o no segundo, faremos uma análise empírica, tentando discutir alguns elementos que reproduzam a temática abordada, aplicando a teoria a um objeto de análise. Fechando a discussão, teceremos algumas considerações fFinais sobre a reflexão proposta neste trabalho.
Breves considerações sobre espaço urbano
Inicialmente, achamos necessário entender que o espaço, trabalhado na ciência geográfica, é produzido socialmente, e que essa produção ocorre paralela à produção dos bens materiais essenciais à sobrevivência do homem. Sendo assim, o espaço é visto por Trindade Júnior (1997, p.5-6) como produto social resultante “do trabalho dos homens no seio das relações que eles estabelecem entre si e com a natureza”, ou seja, o produto das relações fundamentadas na divisão social do trabalho que ocorrem num determinado momento entre os homens e a natureza.
Corrêa (1995, p.15), por sua vez, nos revela que o uso do conceito de espaço está “associado indiscriminadamente a diferentes escalas, global, continental, regional, da cidade, do bairro, da casa e de um cômodo no seu interior”, ou seja, o homem constrói o seu próprio espaço, podendo ocorrer de forma restrita ou de forma ampla, dependendo do nível de escala em que esse espaço tenha sido produzido. Com base nesta definição, cabe a nós trabalhar na escala de um bairro razoavelmente pequeno, embora rico em elementos contraditórios e instigantes para a geografia, pois nele ocorrem todas as relações sociais empreendidas pelo homem.
Quanto à importância do conceito de espaço, alguns autores fundamentam suas teorias baseados em uma mesma linha de pensamento. Outros dão a este conceito uma definição um tanto simplista, relatando que o espaço não passava de uma localização física, uma peça de bem imóvel e ao mesmo tempo o local existencial é uma expressão mental resumida a um “[...] local geográfico da ação e a possibilidade social de engajar-se na ação” (GOTTDIENER, 1993, p.126).
Antes mesmo destes autores, o próprio Lefebvre (1976) ocupava-se do debate sobre espaço, colocando-o como de fundamental importância para a sociedade. Afirmava, ainda, que o espaço não poderia ser comparado como um produto qualquer, como um objeto, como uma mercadoria etc, mas sim, como algo mais importante do que qualquer outro instrumento existente na sociedade, uma vez que ele reflete as características da mesma. Deste modo, “o espaço é o locus da reprodução das relações sociais de produção” (LEFEBVRE, 1976, p.30), ou seja, é no espaço que ocorrem os processos de produção, reprodução e transformação dos modos de produção da sociedade.
Assim sendo, o espaço não é estático, mas dinâmico e sua dinâmica é inerente à dinâmica da sociedade, pois cada sociedade produz seu próprio espaço de acordo com sua realidade. Santos (1978, p.149) já revelava que a dinâmica do espaço lhe assegura, antes de mais nada:
[...] a tendência a reproduzir a estrutura global que lhe deu origem, ao mesmo tempo em que se impõe a essa reprodução social como uma mediação indispensável que às vezes altera o objetivo inicial ou lhe imprime uma orientação particular.
Nosso objeto de estudo passa por algumas destas definições dadas por estes autores. O bairro do Alecrim, de fato, traz esta dinamicidade consigo. Vamos além, o recorte espacial alecrinense é um dos principais espelhos refletores da dinâmica sócio-espacial da cidade de Natal, tendo em vista os elementos existentes no mesmo.
Ainda assim, não nos damos por satisfeitos em trabalhar somente com espaço, buscamos o conceito de espaço urbano como produto social para subsidiar nossos debates na pesquisa. Inicialmente, nos deteremos à afirmação de Costa (2000, p.41), o qual diz que:
O espaço urbano como produto social, por efeito, apresenta as mesmas características já analisadas sobre a noção de espaço, ou seja, ele constitui um reflexo e um condicionante da sociedade e se apresenta também fragmentado e articulado.
Entendemos que a sua discussão responderia, a contento, a análise dos diversos agentes influenciadores da área que pretendemos estudar. Verificamos, ainda, que o espaço urbano, como acontece no bairro natalense, se caracteriza pela dinamicidade e pelas transformações existentes no seu interior, uma vez que reflete as características de uma sociedade feroz. Diante dessa visão, percebemos o processo de evolução do espaço urbano, uma vez que as cidades convivem com um constante processo de mutação, tendo em vista, naturalmente, o seu desenvolvimento espacial.
Devemos pensar estes espaços como produtores e produtos do movimento criado pelo desenvolvimento das relações capitalistas de produção. Nesse sentido, os intensos processos de urbanização são montados em reflexos de acumulação e concentração do capital.
O aumento das atividades no espaço urbano é próprio do modo de produção capitalista, pois é aí onde se concentram, em maior proporção, a força de trabalho e os meios de produção. Esse crescente aumento gera a aglomeração urbana, para cuja expansão é necessária a aquisição de mais espaços.
Como é produzido pelo trabalho, o espaço urbano não é estático nem acabado, e sim, reproduzido sem interrupção, encontra-se em permanente processo de transformação, acompanhando e condicionando a evolução da sociedade.
Dessa forma, a cidade deve ser vista como um espaço em constante transformação, principalmente pelo ritmo acelerado do crescimento nas últimas décadas, sobretudo nos países subdesenvolvidos.
O processo de (re)produção do espaço alecrinense se impõe na estrutura urbana da cidade de Natal, gerando meios de produção e de concentração de pessoas. Esta postura pode recriar “constantemente as condições gerais a partir das quais se realiza o processo de reprodução do capital” (CARLOS, 1994, p. 83).
Diante dessa pequena análise sobre a noção de espaço e, por efeito, de espaço urbano, cabe aqui levantarmos os seguintes questionamentos: Como se deu o processo de (re)produção sócio-espacial no bairro do Alecrim e qual o papel dos principais agentes responsáveis pela dinâmica urbana verificada neste importante espaço natalense? A partir deste momento, tentaremos buscar algumas respostas em outras abordagens para que possamos entender estas e outras questões inseridas na discussão aqui proposta.
A especialização dos espaços: quais os sintomas?
A análise dos espaços especializados tem sido um fenômeno bastante trabalhado na geografia atual. A busca de explicações a respeito da formação e conteúdos destes espaços são as inquietudes dos autores que abordam a temática.
Alguns autores trabalham a temática observando como a concentração de uma determinada atividade desenvolvida pelo homem pode gerar alguns fenômenos sócio-espaciais existentes no centro urbano, como por exemplo, a questão da competitividade entre os espaços.
Para Mateus (1998), a especialização das cidades ou dos espaços pode ser, também, um elemento de complementaridade, na medida em que, se por um lado, a cidade se especializa naquelas atividades contribuindo assim para uma maior competitividade pela qualidade das atividades que desenvolve, por outro, especializa-se em atividades nas quais a maioria das outras cidades ou unidades de espaço menores não se especializa, propiciando desse modo a complementaridade entre elas.
Na medida em que oferecem determinados serviços ao “exterior”, os espaços especializados podem cativar tanto empresas como a população. Para Ferrão, Henriques e Neves (1994), a cidade orienta-se como uma empresa, na medida em que procura oferecer aos seus “clientes” aquilo que eles procuram, trata da sua imagem e faz o seu marketing, de modo a atrair o público-alvo. A ramificação e distribuição de serviços no ambiente relacional e a atmosfera vivida em cada território urbano parece ser hoje um fator indutor de competitividade.
O bairro como um elemento de análise: um ensaio
Dentro da opção teórico-metodológica que elegemos para desenvolver o presente estudo, tentaremos enveredar sobre a discussão de bairro, unidade do espaço urbano cada vez mais presente no estudo da geografia.
O bairro ganhou graus de realidade através de práticas concretas que o projetaram para a sociedade inteira. No caso do Alecrim, o emprego urbano, o salário, as profissões exercidas autonomamente e, principalmente, o comércio ambulante, entre outros tantos atributos que deram forma ao bairro, tiveram que descrever um longo processo, talvez 65 anos[3], enraizando-se na vida local.
Os elementos do bairro que pretendemos compreender neste trabalho passam pela lógica da centralidade que faz do Alecrim um lugar de encontro e de práticas concernentes à vida de grande parte dos natalenses. Mesmo esta teoria estando um certo tempo abandonada pelos pesquisadores, como afirma Corrêa (1997):
A recuperação da teoria das localidades centrais é importante porque ela trata de um tema relevante que é o de organização espacial da distribuição de bens e serviços, portanto um aspecto da produção e de sua projeção espacial”.
Esta situação deriva da localização estratégica na qual encontra-se o bairro do Alecrim na cidade, facilitando a disposição dos principais corredores de circulação viária existentes em Natal e de vários estabelecimentos comerciais distribuídos ao longo de alguns eixos que compreendiam trajetos por ruas e ruelas, existentes no perímetro do bairro.
O bairro do Alecrim: ontem e hoje
Com o intuito de se testar a possibilidade de utilização desta abordagem, decidimos selecionar o bairro do Alecrim, localizado na Zona Administrativa Leste da cidade de Natal-RN, por abrigar um gama de elementos a serem analisados pela ciência geográfica, tendo em vista que o mesmo é marcado por acontecimentos importantes para a formação da atual dinâmica sócio-espacial da cidade.
O bairro do Alecrim dispõe de uma área de 309,37 ha e uma população de 32.356 habitantes, sendo o sétimo mais populoso da cidade, representando uma densidade demográfica de 104,59 hab./ha (IBGE, 2000).
Desde o início de sua ocupação, já poderiam ser encontradas na localidade algumas construções e equipamentos importantes para Natal, como o único cemitério da cidade e a praça Pedro II, ambos assentados na localidade em que se construíram as primeiras casas do bairro. Mesmo assim, até então, o Alecrim aparecia apenas com uma passagem dos que vinham do interior do estado para negociar nos centros do comércio da cidade – os bairros da Ribeira e da Cidade Alta (CASCUDO,1999).
Na primeira metade do século XX, era possível verificar alguns elementos importantes para a evolução urbana do bairro, como a instalação da Escola de Aprendiz de Marinheiro, no Refoles, localidade do bairro onde seria construído, mais tarde, o primeiro caminho que ligava o bairro à Cidade Alta e o prolongamento de duas estradas de ferro que, além de darem acesso ao interior, levavam passageiros e produtos para os estados da Paraíba e de Pernambuco.
Na gestão do presidente da Intendência Municipal de Natal, Joaquim Manuel Teixeira de Moura, em exatos 23 de dezembro de 1911[4], o bairro do Alecrim foi criado, se desmembrando de Cidade Alta (SOUZA, 2001).
A atual conjuntura urbana posta no bairro do Alecrim foi construída ao longo de várias décadas, estas até antecedendo a sua real criação. Sendo assim, consideramos que a atual dinâmica urbana do bairro, concebida através das práticas materiais e simbólicas, advinda de várias décadas e trazidas por este espaço natalense, proporciona que o exame desta investigação nos instigue à reflexão sobre a (re)produção sócio-espacial desta importante área da cidade de Natal. Para tanto, torna-se necessário resgatar alguns importantes elementos concebidos no decorrer de sua história, obedecendo algumas etapas temporais e tentando explicar a atual configuração urbana verificada no bairro, como, por exemplo, o setor informal, elemento que proporcionou grandes transformações sócio-espaciais, gerando alguns problemas para grande parte dos natalenses.
A desorganização e a falta de controle dos órgãos públicos para com estes comerciantes trouxeram o encadeamento de complicações urbanas como a desordem no sistema de trânsito do bairro, observada na falta de estacionamentos para os veículos e nos freqüentes acidentes nas suas ruas, estes causados, basicamente, pelas irregularidades das barracas que ocupam áreas impróprias para a prática do comércio – ruas e calçadas.
No Alecrim, são encontradas diversas ruas especializadas no comércio de determinados produtos. Mesmo que de um lado, esta situação favorece ao consumidor que procura o serviço ou produto desejado em uma única área da cidade, por outro, favorece a prática de cartel por parte dos comerciantes.
Uma outra característica importante do bairro diz respeito à sua localização geográfica, permitindo o fácil deslocamento para qualquer parte da cidade, um vez que a malha viária de Natal é o reflexo de sua expansão urbana, marcada pela presença de barreiras naturais como as dunas e o estuário do Potengi/Jundiaí. Estas barreiras são condicionantes do crescimento da cidade, caracterizada por vias radiocêntricas, através dos corredores convergentes para o centro, abrangendo os bairros do Alecrim, Cidade Alta, Ribeira e Rocas (BEZERRA, 2004).
Enfim, a importância do bairro do Alecrim para a cidade de Natal não se resume apenas à disponibilidade dos serviços e à existência de um grandioso espaço comercial. É mais que isso, localizado em uma área central, com a existência de longas avenidas, o deslocamento para qualquer parte da cidade se torna facilitado. O fluxo viário, as ruas especializadas pelo comércio em toda a sua organização urbana não implicaram na mudança de algumas características do bairro como a permanência de um grande número de residências e a manutenção de importantes feiras populares, ora o advento das transformações observadas no espaço natalense.
Breves considerações
Isso posto, vêm à tona diversos questionamentos levantando a representação urbana do bairro para a cidade de Natal, tendo em vista o quadro atual e a inexistência de um consenso e uma compreensão do caso do Alecrim, ora discutido nos parágrafos anteriores.
Os elementos vivenciados pelo bairro fizeram “moldar” a sua atual dinâmica sócio-espacial atingindo, indiretamente, no cotidiano dos que compõem o bairro, tanto dos seus moradores como de grande parte da população da cidade.
Mesmo problematizando alguns conceitos como o de “bairro”, unidade de espaço e de relações no processo de urbanização, deixamos claro que a discussão proposta vai além do que foi exposto neste trabalho. O seu aprofundamento depende de uma investigação própria e acompanhada para que possa suprir o esclarecimento de algumas reflexões que não foram concluídas nesta breve discussão.
http://www.igeo.uerj.br/VICBG-2004/Eixo1/E1_167.htm
A história da Capitania do Rio Grande do Norte, teve início a partir de 1535 com a chegada de uma frota comandada por Aires da Cunha, a serviço do donatário João de Barros e do Rei de Portugal com o objetivo de colonizar as terras da região, porém impedida de fazê-lo pela forte resistência dos índios potiguares e piratas franceses, traficantes de pau-brasil. Estava iniciada a trajetória histórica da área situada na esquina da América do Sul. No dia 25 de dezembro de 1597, sessenta e dois anos após a frustada tentativa de Aires da Cunha, uma esquadra comandada pelo Almirante Antônio da Costa Valente e integrada por Francisco de Barros Rego, Mascarenhas Homem e Jerônimo de Albuquerque, entrava na barra do rio Potengi, e com essa entrada histórica teve início a povoação em toda área.
A primeira providência da expedição foi tomar precauções contra o ataque invasor, e, doze dias depois da chagada, no dia 6 de janeiro de 1598, começaram a construção de um forte sobre os arrecifes situados nas redondezas da chamada Boca da Barra, que foi chamado de "Reis Magos", por sua construção ter sido iniciada no dia consagrado aos Santos Reis. O forte foi concluído no dia 24 de junho do mesmo ano e nas circunvizinhanças, logo, se formou um povoado que, segundo alguns historiadores, foi chamado de Cidade dos Reis, numa clara referência à edificação que lhe deu origem. Tempo depois o povoado mudou de nome, passando a se chamar Cidade do Natal. Para alguns escritores o nome Natal é explicado em duas versões: a primeira refere-se ao dia em que a esquadra penetrou na barra do Potengi e a segunda tem ligação direta com a data da demarcação do sítio primitivo da cidade, realizada por Jerônimo de Albuquerque, no dia 25 de dezembro de 1599.
Com a presença holandesa na região, a vida da cidade que começava a evoluir foi inteiramente mudada, e, no período de 1633 a 1654, ainda sob o domínio holandes, o Forte dos Reis passou a se chamar de Forte de Keulen e a Cidade do Natal, Nova Amsterdã. Com a saída dos holandeses, a vida da cidade voltou à normalidade, mas seu crescimento foi acentuadamente lento e gradual, nos primeiros séculos de sua existência. Segundo o historiador Câmara Cascudo, no livro História da Cidade do Natal, em 31 de dezembro de 1805, Natal tinha 6.393 habitantes, e no último ano do século XIX, a cidade já tinha uma população de 16.056 pessoas.
Somente a partir de 1922, a cidade começou a se desenvolver em ritmo mais acelerado. As primeiras atividades urbanas tiveram início no bairro da Ribeira, situado na parte baixa da cidade, próximo a foz do rio Potengi, expandindo-se em direção ao centro, atual bairro da Cidade Alta. Na década de quarenta, a deficiente estrutura física da cidade, provocou o adensamento das áreas urbanizadas, sobrecarregando-as de novos logradouros, notadamente no bairro do Alecrim.
Pela sua privilegiada posição geográfica, localizada no litoral nordestino, na chamada esquina do continente ou esquina do Atlântico, Natal foi favorecida pelo advento da Segunda Guerra Mundial. A cidade cresceu e evoluiu com a presença de contingentes militares brasileiros e aliados, consumindo-se o seu progresso com a construção das bases aérea e naval, local de onde as tropas partiam para o patrulhamento e para a batalha, na defesa do atlântico sul e na realização das campanhas militares no norte da África; fatos esses que lhe valeram o cognome de Trampolim da Vitória.
http://www.tre-rn.gov.br/nossoestado/natal.htm
O Alecrim Futebol Clube, equipe brasileira de futebol com sede em Natal, foi fundado no dia 15 de agosto de 1915 por um grupo de moradores do bairro do Alecrim: Lauro Medeiros, Humberto Medeiros, Pedro Dantas, José Firmino, Gentil de Oliveira, Miguel Firmino, Jovenal Pimenta Tinôco e João Café Filho.
http://pt.wikipedia.org/wiki/Alecrim_Futebol_Clube
o Alecrim Futebol Clube, representante do bairro do Alecrim, foi fundado em 15 de agosto de 1915. Segundo alguns estudiosos do futebol potiguar, existem divergências quanto ao ano da fundação do Alecrim, posto que alguns documentos citam o ano de 1917 e não o de 1915, como tendo sido a real data de nascimento do clube esmeraldino. Discussões a parte, pouco tempo depois, em 1918, surgia o Centro Esportivo Natalense, fundado por Antônio Afonso Monteiro Chagas. Este time era formado por marinheiros e oficiais lotados à época em três encouraçados que se encontravam fundeados no Porto de Natal devido à Primeira Guerra Mundial. Durante algum tempo, o Centro Natalense absorveu os jogadores do Alecrim, que pararia suas atividades neste período. Aquele clube se extinguiria em 1922, logo após a transferência de Monteiro Chagas, que era da Marinha. O Alecrim voltaria a suas atividades no ano seguinte.
http://www.futeboldorn.com.br/historia/index_02.htm