Alnice Marques

Minha História


Alnice

Minha historia

  Meu nome é Alnice Marques.nasci no dia 28 de Janeiro de 1942,na cidade de São Gonçalo do Amarante,no Rio Grande do Norte.

 

 

 

Aos 7 anos já residia em NATAL,na rua Mario Negócio,no bairro Quintas.Meus pais,Almiro Marques do Nascimento e Cleonice Mangabeira Marques

Filha mais velha do casal, ajudei minha mãe a criar seus l6 filhos.Conta minha mãe que desde criancinha eu já cantava,pois aos meus 4 anos,deitada numa  rede na varanda da nossa casa no interior,eu me balançava tocando com os pés na parede e cantava os sucessos do momento.

Meu pai era guarda de trânsito e minha mãe enfermeira do Hospital Evandro Chagas, que naquele tempo funcionava na Avenida dois,esquina com a Av. 9 no Alecrim.

Cursei o meu primário no Grupo Escolar João Tibúrcio, e me lembro até hoje das minhas primeiras professoras: Dona Sebastiana, Dona Natércia e Dona Ivone.

Nesse tempo nossa família já estava morando no Alecrim, na Rua São Vicente, entre as avenidas sete e oito, e dali mudamos para a Presidente Sarmento, onde vivi toda a minha infância até a adolescência.Foi nesse endereço que comecei a despertar para o mundo artístico.

Aos l7 anos, cursando o científico, já no Instituto Sagrada Família, onde terminei o meu curso Ginasial, vinda do Ateneu, tinha todo meu tempo ocupado com as obrigações de casa (lavar, cozinhar, cuidar dos meninos) estudar para o Curso de Enfermagem de Saúde Pública e também ainda tinha tempo de cantar nos programas das Rádios de Natal. Com o término do curso de enfermagem, fui contratada pelo então secretário de saúde do Estado a Dr. Abelardo Calafange para trabalhar no Centro de Saúde do Alecrim, com o Dr. Jair Navarro, no setor de Odontologia e depois no setor tisiológico com o Dr. Milton Galvão.

Veio então, inscrição para um Curso de Especialização de Tuberculose, promovido pelo Departamento Nacional Contra a Tuberculose, e dos funcionários escolhidos para fazer o curso, lá estava eu. E neste curso, ministrado pelas enfermeiras Elza Vieira, do Rio de Janeiro, e Maria Ester, de Portugal, fui aprovada e fui nomeada para exercer minha função no Dispensário de Tuberculose, onde trabalhei com o Dr. Raul Jose Fernandes de Oliveira Barros. Muitas foram as pessoas curadas no nosso estado, por aquele excepcional trabalho do Serviço Nacional de Tuberculose.

Ainda na área de saúde, fiz um curso de enfermagem Psiquiátrica, no Hospital São Camilo de Lélis, em Mossoró.

Todas as minhas irmãs e minha mãe são enfermeiras, porém eu, apesar de tantos cursos, tinha o pensamento voltado para a arte e cultura.

Lembro-me,quando pequena na Avenida Quatro,de um pé de pitomba, no quintal da nossa casa, no qual estava armado um trapézio feito por mim, e no qual eu passava horas e horas treinando, sem imaginar no perigo que corria se despencasse lá de cima.

Eu tinha uma verdadeira paixão pelo Rádio. Ouvia todos os programas e escrevia para todos pedindo músicas. Quando menina me lembro ainda do nome do meu locutor preferido: Meira Pires,que apresentava programa na Rádio Potí.

Ligava-me tanto em Rádio, que ao fazer o exame de admissão no Ateneu, fiquei para segunda época, em matemática, e que fiz cursinho na Escola do professor Saturnino que funcionava em frente à Igreja São Pedro. Todos os dias,quando venho trabalhar,de ônibus olho para aquela casa, que foi minha escola.

Foi estudando no querido Ateneu, que as portas da música se abriram, pois todas as quartas feiras, eu pulava o muro do colégio, após a segunda aula, ia para o Rádio Poty, e ensaiava com o Regional de Iêdo Wanderley para cantar no programa de calouros de Rui Ricardo, que era apresentado aos sábados, Sabatina da Alegria.

Lembro-me ainda do dia em que participei do primeiro programa e cantei o sucesso do momento: “Donde estará mi vida” do cantor Joselito. Fiz uma boa apresentação e até a Orquestra de Waldemar Ernesto começou a me acompanhar. Empolguei-me tanto que após a Orquestra solar a primeira parte da música, ao invés de entrar na segunda parte,  eu recomecei a música. Foi o suficiente para o sonoplasta lá no controle da Radio me aplicar um sonoro gongo.

Voltei para casa a pé, da Radio Potí até a Avenida Quatro, e para completar, levei uma tremenda surra do meu pai, que não queria nem ouvir falar em Rádio, e aos sábados que era o dia de folga dele na Inspetoria de Policia, ele trabalhava como barbeiro em casa, e ficava de rádio ligado, exatamente na Potí, ouvindo o programa de Rui Ricardo.

Porém,  nem a surra nem o sermão que ele fazia, me amedrontaram, e na outra quarta feira, lá estava eu novamente pulando o muro do Ateneu e ensaiando na Radio para cantar no sábado. E assim, se sucederam sete semanas. Foram sete primeiros lugares e sete surras que eu levei quando chegava em casa.No oitavo programa, cantei a música “Graças a Deus” gravação de Doris Monteiro,e fui classificada novamente em primeiro lugar.No final da seqüência de calouros, Rui Ricardo anunciou minha vitória, e que receberia o premio no final do programa,na sala dos artistas. E ao final do programa,fui receber meu prêmio na mesma sala em quem estavam Luiza de Paula, Sonia Santos,Dalvina Lopes, Clóvis Alves e tantos outros artistas que integravam o cast do programa.

Assinei contrato e passei a formar com eles o elenco de artistas do programa Sabatina da Alegria. Chegando em casa,já como artista, mostrei o contrato aos meus pais e disse:”Agora eu já sou artista da Rádio Potí” Daí não apanhei mais surras,mas ficou aquele ambiente pesado,porque todas as vezes que saía de casa para cantar nos shows,era um problema com meu pai.E eu não parava em casa,tanto por causa dos ensaios,como também para apresentações, já que passei a ser uma das figuras que estavam presentes no Domingo Alegre,de Genar Wanderley,Festival da Lagoa, de Paulo Ferreira, Expresso da Alegria de Vanildo Nunes,shows em Ginásios de Esportes como também em outros cidades com o locutor Jose Antonio e outros que faziam shows em cinemas,circos,escolas,etc.

Em l960, cantei para o então Presidente da República Sr. João Goulart,quando ele aqui esteve,inaugurando a energia de Paulo Afonso, no Governo de Aluízio Alves. O evento foi realizado na cidade de Santa Cruz e a festa com o Conjunto Preto e Branco do ABC comandado por Chico Elion e realizada a festa no  Trairí Clube daquela cidade.

No bairro da Conceição havia um sistema de som denominado de Amplificadora Cruzeiro do Sul de seu Antonio Manso Maciel, dirigido por Raimundo Moreno, grande seresteiro naquela época, e que realizava programas de auditório, nos quais eu sempre cantava. E foi nessa amplificadora, que dei meus primeiros passos para a nova profissão que eu encarava: a de locutora de rádio.

Um dia, saí de casa, e fui até o Grande Hotel, ao escritório de Teodorico Bezerra, pois ele era proprietário da Rádio Trairí. Falei com ele, que me encaminhou ao seu filho Dr. Kleber que dirigia a Rádio, e  em menos de uma semana já estava trabalhando na Rádio.

Fiquei apenas um mês porque Zé Lagoa, que era diretor da Rádio Rural me ouviu, e me contratou para trabalhar naquela Emissora. Lá apresentei os programas “Mensagem Sonora e O mundo é da Mulher”.

Nesse tempo, a Rádio Potí abriu inscrição para teste para locutores, e me inscrevi. Fiz o teste o fui aprovada. e comigo os locutores Glória Maria, Tadeu Nascimento e  Paulo Tarcisio. E imediatamente deixei a Rádio Rural, ingressando na Potí. E naquela Emissora trabalhei com grandes nomes do Rádio como Almeida Filho, Ademir Ribeiro, Lienio Trigueiro, Jose Lira, Jose Ari  e outros, dirigidos pela competência de Silvino Sinedino, assessorado por Carlos Jorge. Lá apresentei muitos programas de stúdio e de auditório, como foi o caso de Vesperal de Atrações que apresentei junto com Luiz Cordeiro, que voltou para Minas Gerais e eu fiquei produzindo e apresentando sozinha o vesperal. Tempos lindos aqueles, nos quais eu contava com o maestro James de Morais. João de Orestes e Banda Apache, Cícero Bezerra, Iêdo Wanderley e tantos outros músicos do nosso estado.

Quando trabalhava na  Potí, fui convidado por Sandoval Wanderley para representar uma peça, e apesar de nunca haver nem assistido uma peça de teatro, resolvi enfrentar o desafio.  E ingressei no TAM (Teatro Amador de Natal), dirigido por ele, e ensaiamos a peça Taberna Azul de sua autoria, e nos apresentamos por diversas cidades do Rio Grande do Norte. Quando estávamos ensaiando “Odorico bem amado”, fui convidada por Jesiel Figueiredo, para fazer parte do TAU (Teatro de Artistas Unidos) que era o grupo de maior destaque no mundo teatral do estado. E fui trabalhar com Jesiel, enfrentando logo de cara, o papel de Marly, uma mulher de vida prostituída, na peça “O pagador de promessas’ Além de mim e Jesiel, atuavam e Jornalista Sebastião Carvalho, Auta Chacon, Jairo Maciel, Jair Figueiredo, e outros”. O tempo que fiz parte da Potí, também fiz parte do TAU. Com Jesiel ainda fiz os seguintes trabalhos teatrais; Édipo - Rei, Beijo no asfalto, Bonitinha mais ordinária, O nó de quatro pernas, e peças infantis como “Branca de Neve e o Gigante, Chapeuzinho Vermelho e O Gato de Botas”.

No final da década de 60, quis traçar novos rumos para a minha vida, e viajei para o Rio de Janeiro, na companhia de um colega cantor, que tinha parte de sua família lá no Rio.

Em lá chegando fui para a casa dos mesmos, no bairro Jacaré, na Rua Tomaz Luiz Gonzaga. Lá começamos cada qual a procurar um espaço para apresentações. E foi numa dessas minhas buscas que consegui me inscrever no programa “Um instante Maestro” que era apresentado por Flávio Cavalcanti, as quintas-feiras na TV Tupi..

Ensaiei no mesmo estúdio onde estava ensaiando a cantora Maisa, com seus imensos olhos verdes, longuíssima saia cor de mel e blusa marrom. Linda. Ensaiei e música “camisa listrada”

Quando cheguei em casa,já de noite,qual não foi minha surpresa,ao abrir uma frasqueira na qual guardava todo o meu dinheiro e algumas jóias,  Haviam levado tudo. Fiquei sem dinheiro, numa cidade na qual eu não conhecia ninguém Procurando informações sobre o acontecido, deparei com o seguinte quadro: o meu amigo me dizia que os parentes dele é que haviam e roubado, e eles me diziam que o meu amigo é que havia tirado minhas economias. Quase me desesperava, mas me surgiu uma idéia,de procurar a Marinha, já que eu tinha um irmão sargento de marinha. E no outro dia,bem cedinho me levantei e fui a casa do Marinheiro,na Praça Mauá. Procurei falar com o comandante e fui atendida ás l9 horas. Já não agüentava de tanta fome,pois não tinha dinheiro e sentia uma vergonha danada de pedir algo a alguém e ser mal interpretada.

Finalmente as l9 horas o comandante Radmaker (aquele que mais tarde sería vice-presidente da República) me atendeu. Encaminhou-me para a residência do Tenente Paiva, e passei a noite na casa dessa família. No outro dia ao chegar na Casa do Marinheiro já havia uma senhora,por nome de Maria de Lourdes Oliveira, cearense, casada com Joseph Oglayri,comandante de um navio da Marinha Mercante. Esta senhora foi a minha luz no Rio de Janeiro.

Continuei então a minha procura para cantar, e como havia faltado ao programa da TV Tupi, fiquei envergonhada de voltar e procurei então a TV Globo. Depois de sofrer umas  quatro semanas, nas filas imensas todas as quartas-feiras para me inscrever, consegui entrar no maior sufoco e fiz uma apresentação no domingo 9 de novembro de l969.

Depois da minha apresentação na Buzina do Chacrinha, minha vida mudou completamente,pois cantei num domingo,e na segunda-feira pela manhã,já tinha um empresário na casa da Lourdes para me contratar para cantar numa companhia que produzia uma revista musical e se apresentava por diversos Estados do Sul do país. A Lourdes tomou a minha frente e fechou o contrato como se fosse uma empresária. E tomou conta de mim como se eu fosse sua filha. E passei a ensaiar os passos de balé para a revista no Teatro Carlos Gomes, na Praça Tiradentes no Rio de Janeiro.

 Partimos para os shows em Curitiba, onde fui cartaz várias noites,com meu nome estampado nos cartazes junto ao nome da companhia e de grandes nomes como Agnaldo Timoteo, Miltinho, Jece Valadão, Trio Los Panchos ,entre outros, que se apresentavam na Boate Maxin’s,na Rua 7 de setembro,no Centro daquela capital.

Depois partimos para Santa Catarina, onde fizemos apresentações nas Boates Jacy, Golden Star e Mini Boate Oásis. Fomos para o Rio Grande do Sul, e de lá da cidade de Vacarias na Casa de Shows Carlinhos, e voltamos para Lajes em Santa Catarina , pois havíamos sidos contratados contratados novamente, atendendo ao público daquela cidade. Como íamos ficar 2 meses por força do contrato, aproveitei para escrever para minha mãe.Naquele tempo a resposta de uma carta era de no mínimo l5 dias. E quando obtive resposta da minha carta, fiquei chocada com as notícias da minha família, que davam conta de que a minha mãe iria fazer uma operação muito arriscada.  Fiquei preocupada e a minha primeira atitude foi voltar a Natal. Passei 4 dias viajando,de Santa Catarina para o Rio,  e do Rio para Natal, de ônibus.Quando cheguei na casa de meus pais,encontrei minha mãe tão magra,que comecei a chorar. Pensei em voltar depois para o Rio, mas naquela hora eu queria ficar aqui, e acompanhar o restabelecimento de minha mãe. Fui a Rádio Nordeste e falei com Rubens Mariz, que no mesmo dia me colocou como locutora daquela emissora. Fiquei dois anos apresentando o programa “Show das nove e sete” pela manhã e “Juventude brasa” no horário da tarde. Passei dois anos na Rádio Nordeste, e depois fui morar em Mossoró, onde trabalhei na Rádio Difusora. Voltei pra Natal e voltei a trabalhar na Rádio Nordeste,quando fui convidada por Carlos Alberto,então diretor artístico da Rádio Cabugí, para integrar o elenco do programa ‘Patrulha da Cidade’ juntamente Wellington Carvalho, Tom Borges, Coronel Bolachinha, e Marcos Jacaré. Trabalhei 11 anos na Cabugí, também como programadora musical e repórter de rua,em reportagens carnavalescas,juninas,esportivas,etc.

Desenvolvia ao mesmo tempo a função de Secretária do Sindicato dos Radialistas e Divulgadora para o Rio Grande do Norte da gravadora RGE.

Em l985; mudei-me novamente para Mossoró, agora com um marido de lado, e fui novamente para a Rádio Difusora, apresentar o programa Cidade Aflita, com Jose Antonio, Paulo Wagner, Edmilson Lucena, Orlando Peres, e participação no programa Show da manhã, com Sílvio Filho.

Depois fui morar em Fortaleza, onde através do cantor André Leone, comecei a trabalhar na Gravadora Esfinge, sendo diretora de divulgação para o Norte e Nordeste, com escritório no Edifício C.Rolim, no Centro de Fortaleza. Depois de dois anos, foi anunciada a falência da Gravadora e eu voltei para Mossoró. Lá, me unindo a João de Orestes; amigo de muito tempo, construímos e inauguramos um clube denominado VIDA VIDA,onde realizamos muitas festas com o grupo Versátil João de Orestes, e shows com Beto Barbosa,Nelson Gonçalves,Eliana,Sandro Becker, Renato e Seus Blue Caps,entre outros artistas.

Voltei para o Rádio e por intermédio de Luiz Pinto, candidato a vice prefeito de Mossoró, passei alguns meses trabalhando na Rádio Libertadora de Mossoró, me mudando depois para a cidade de Baraúna, onde passei 11 anos trabalhando na politica daquela cidade, fazendo três campanhas para prefeito e sendo vitoriosa em todas as três. Devido o meu trabalho nas campanhas, em cima de carros de som, trios elétricos e animação em shows,  comícios, e comunicação com o povão, após as campanhas eu era nomeada Assessora de Imprensa do Prefeito. E como assessora, tinha os caminhos abertos para realizações de eventos, principalmente culturais na cidade. Realizei o concurso Miss Baraúna, Rainha do carnaval, coordenei junto a secretaria de Educação muitas paradas de Sete de setembro, fundei o grupo de teatro TAB (Teatro Amador de Baraúna) que por dois anos consecutivos, realizou a Paixão de Cristo, na principal praça da cidade. e em todas as datas comemorativas representava peças educativas.

Criei o Grupo Chiquititas, com apoio dos pais das crianças, que compravam todo o figurino de acordo com a novela do SBT. Esse grupo de Baraúna marcou na história cultural da cidade, com apresentações belíssimas em todas as solenidades para as quais era convidado, e de se apresentar em outras cidades do Estado, e também do Ceará.

Coordenei a Banda de Música de Baraúna, que fez várias apresentações aqui em Natal, tanto convidada pelo Governo do Estado como também pela Fundação Jose Augusto, e também em outras cidades, principalmente em festa de padroeiras, e desfiles.

Finalmente chegando aos meus 60 anos, me aposentei e hoje, que retornei a Natal, estou prestando meus serviços a Fundação Cícera Queiroz, coordenando o Projeto Mulher Potiguar.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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